quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Fenômeno de 'terras caídas' coloca em risco mais de cinco mil ribeirinhos no Amazonas

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Ribeirinhos da Reserva Mamirauá, no Amazonas, enfrentam risco grave devido à erosão extrema e desmoronamentos causados por secas severas. (Foto: Paula dos Santos Silva / Instituto Mamirauá)

Mais de cinco mil ribeirinhos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, estão em situação de risco devido ao avanço da erosão e ao acúmulo de sedimentos nos rios.

O fenômeno, conhecido como “terras caídas”, é agravado pelas secas extremas e pode comprometer moradias, acessos e a segurança alimentar das populações locais, conforme apontou estudo publicado na revista Communications Earth & Environment.

O estudo, conduzido pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá em parceria com universidades brasileiras e estrangeiras, analisou a vulnerabilidade de 51 comunidades da Amazônia Central entre 1986 e 2021.

Dessas, quatro apresentam risco muito alto, enquanto sete estão em situação de risco alto. Entre os fatores críticos, destacam-se a distância dos centros urbanos, ausência de estrutura social organizada e pouca experiência prévia com desastres do tipo.

Os pesquisadores mapearam, por meio de imagens de satélite, a ocorrência de terras caídas e formação de praias em 254 comunidades da reserva.

Os dados indicam que 26% das comunidades sofrem com erosão das margens fluviais, 18,5% enfrentam sedimentação excessiva e 55,5% encontram-se em situação estável.

Além da destruição de terras e habitações, a erosão dificulta a mobilidade e o acesso a serviços básicos, impactando a qualidade de vida da população ribeirinha.

Em 2024, eventos severos de terras caídas causaram mortes e destruíram dezenas de casas em municípios do Amazonas.

O geógrafo e pesquisador do Instituto Mamirauá, André Zumak, destacou a gravidade da situação: “As secas extremas dificultam a mobilidade dessas comunidades que residem ao longo das margens dos rios. A exposição de algumas áreas durante a seca registrada em 2024, por exemplo, proporcionou eventos chamados de terras caídas, com mortes, inclusive. Isto é uma relação direta com as mudanças climáticas, mas são necessários mais estudos para entender melhor esta relação”.

Seca extrema intensifica a vulnerabilidade

A seca extrema de 2023 e 2024 intensificou a vulnerabilidade dessas comunidades, tornando os eventos de erosão mais frequentes e destrutivos.

O levantamento do Serviço Geológico Brasileiro identificou 119 áreas de risco no estado, afetando cerca de 30 mil pessoas.

Em 2023, um desabamento no município de Beruri destruiu 40 casas e resultou em cinco mortes, evidenciando a gravidade da situação.

Pesquisadores alertam para a necessidade de mais estudos e políticas públicas voltadas à prevenção e mitigação dos impactos da erosão e sedimentação.

As informações geradas pelo estudo podem subsidiar órgãos como o Serviço Geológico Brasileiro e a Defesa Civil na identificação de áreas de risco e na implementação de estratégias para proteger as comunidades ribeirinhas da Amazônia.

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