quarta-feira, 23 de setembro de 2026

MUSA sobreviveu de doações e sacrifício de funcionários, diz Candotti

Cientistas da Amazônia fizeram apelo a parlamentares por maior repasse de verbas para Institutos de Pesquisa.
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Foto: Vanessa Gama/Musa

O cortes de recurso promovidos pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro ameaçou seriamente o funcionamento do Museu da Amazônia (MUSA), em Manaus. Segundo o diretor do espaço, Ennio Candotti, a instituição sobreviveu graças às doações e aos sacrifícios e amor dos funcionários.

Ao lado de outros pesquisadores de institutos científicos da Amazônia, Candotti assinou um manifesto pedindo aos integrantes da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados, e ao Congresso Nacional, atenção para a manutenção do orçamento das instituições.

Ao RealTime1, ele relembrou o cenário de dificuldade extrema vivenciado nos últimos anos. O relato é o mesmo da direção do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o maior centro científico sobre a Amazônia no Brasil e que está mantendo apenas o básico.

Atualmente, o MUSA conta com um orçamento anual de R$ 3 milhões. Os recursos são provenientes de ingressos pagos pelos visitantes que vão conhecer o espaço montado na reserva florestal Adolpho Ducke, da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e de empresas via lei Rouanet.

Além desses recursos, os projetos de pesquisa são financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), aproximadamente R$ 600 mil.

Crise

Entre 2019 e 2021 foram investidos cerca de R$ 4 milhões, no total. E com a chegada da pandemia o museu foi obrigado a manter as portas fechadas durante muitos meses.

Os anos do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro foram de extrema dificuldade, relata o diretor do MUSA, Ennio Candotti, em entrevista exclusiva ao RealTime1.

“Na época, doações dos programas ‘Amigos do Musa’ e ‘Amicus Flora’ foram muito importantes. Atravessamos um período de grave crise financeira. Os salários foram reduzidos e complementados com auxílios do Ministério da Economia. Sobrevivemos graças aos sacrifícios dos funcionários e sua paixão pelo Musa”, disse.

 Musa tem trilhas, lago de vitórias-régias e torre de observação. (Foto: Vanessa Gama/Musa)

Conforme Candotti, o MUSA precisa de um investimento mínimo de R$ 1 milhão, por ano, para custear a manutenção das trilhas, torre, aquários e exposições.

O diretor ressalta que planeja ampliar a área educativa para receber mais estudantes e oferecer a eles práticas de biologia, ecologia e botânica.

E pretende completar o catálogo das plantas da Reserva Ducke com pesquisadores do Inpa.

Patrocinadores

Atualmente, o MUSA recebe recursos financeiros de empresas como Bemol, Itaú, Fogás, Banco do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), EcoForte, entre outros.

Além de apoio científico e cultural de instituições como UEA, INPA, Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Instituto Mamirauá, Museu Paraense Emílio Goeldi, Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

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