quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Redução no preço de combustíveis provoca maior deflação em 30 anos

IPCA-15 teve deflação (queda) de 0,73% em agosto. É a menor taxa desde o começo da série histórica, iniciada em novembro de 1991, informou nesta quarta-feira (24) o IBGE.
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Procon-AM combustíveis

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve deflação (queda) de 0,73% em agosto. É a menor taxa desde o começo da série histórica, iniciada em novembro de 1991, informou nesta quarta-feira (24) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A deflação foi puxada pelo recuo nos preços dos combustíveis, principalmente da gasolina, e da energia elétrica. Nos dois casos, houve impacto de cortes tributários aprovados às vésperas das eleições. Preços de alimentos e bebidas, por outro lado, continuaram em alta.

Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam um recuo mais intenso em agosto, de 0,82%. Em julho, o IPCA-15 havia registrado inflação (alta) de 0,13%.

Apesar da trégua, o índice ainda acumulou avanço de 9,60% em 12 meses. Nesse recorte, a alta era de 11,39% até o mês passado.

O índice oficial de inflação no Brasil é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também divulgado pelo IBGE. Como a variação do IPCA é calculada ao longo do mês de referência, o dado de agosto ainda não está fechado. Será conhecido no dia 9 de setembro.

O IPCA-15, pelo fato de ser divulgado antes, sinaliza uma tendência para os preços. O indicador prévio costuma ser calculado entre a segunda metade do mês anterior e a primeira metade do mês de referência da divulgação. Neste caso, a coleta do IPCA-15 ocorreu de 14 de julho a 12 de agosto.

Alimentação volta a subir

A comida, por outro lado, seguiu em alta em agosto. A maior elevação entre os grupos veio justamente de alimentação e bebidas: 1,12%. O avanço havia sido ainda mais intenso em julho (1,16%).

O grupo de alimentação e bebidas também registrou o principal impacto para cima no IPCA-15: 0,24 ponto percentual. O resultado foi influenciado pelo aumento nos preços do leite longa vida.
O produto disparou 14,21% em agosto. Foi o maior impacto individual positivo no índice do mês (0,14 ponto percentual).

Outros destaques vieram das frutas (2,99%), do queijo (4,18%) e do frango em pedaços (3,08%). A alimentação no domicílio subiu 1,24% em agosto. A alimentação fora do lar teve alta de 0,80%.

Inflação distante da meta No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 segue distante da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA. O centro da medida de referência é 3,50%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima (5%) ou para baixo (2%).

Com o corte tributário sobre os combustíveis, analistas do mercado financeiro passaram a reduzir as projeções para o IPCA em 2022. Mesmo assim, o país caminha para o segundo ano consecutivo de descumprimento da meta de inflação.

A alta prevista pelo mercado para o IPCA é de 6,82% até dezembro, indicou a mediana do boletim Focus publicado na segunda-feira (22) pelo BC.

De acordo com analistas, a perda de receitas com tributos traz riscos para o quadro fiscal, com possíveis impactos negativos sobre a inflação mais à frente.

Para tentar conter a carestia, o BC vem subindo os juros. A taxa básica, a Selic, foi para 13,75% ao ano em agosto. A alta desafia a recuperação do consumo das famílias e encarece os investimentos produtivos das empresas.

Na terça-feira (23), o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que o Brasil terá dois ou três meses de queda de preços. Segundo ele, a inflação encerrará 2022 em torno de 6,5% ou um pouco abaixo.

Fonte: Folhapress

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