Com o impacto da redução de combustíveis e energia elétrica, o Brasil teve deflação (queda de preços) de 0,68% em julho, informou nesta terça-feira (9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
É a menor taxa já registrada pelo índice oficial de inflação do País, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A série histórica começou em janeiro de 1980.
A queda, contudo, foi puxada por apenas dois grupos (transportes e habitação) entre os nove pesquisados pelo IBGE. O segmento de alimentação e bebidas, por outro lado, ainda dá sinais de carestia e voltou a acelerar, o que pressiona sobretudo o bolso dos mais pobres.
Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam uma queda menos intensa em julho, de 0,65%. O IPCA havia subido 0,67% em junho.
A deflação de julho é a primeira desde maio de 2020. À época, a baixa havia sido de 0,38%, em um contexto de restrições a atividades econômicas com a chegada da pandemia.
De acordo com o IPCA, o resultado de julho foi influenciado principalmente pelo grupo dos transportes, que teve a queda mais intensa, de 4,51%. O segmento contribuiu com o maior impacto negativo (-1 ponto percentual).
A queda dos transportes se deve, principalmente, à redução nos preços dos combustíveis, de 14,15%. A gasolina baixou 15,48%. O etanol, por sua vez, recuou 11,38%.
A gasolina, individualmente, contribuiu com o impacto negativo mais intenso entre os 377 subitens que compõem o IPCA (-1,04 ponto percentual).
Também foi registrada baixa nos preços do gás veicular, de 5,67%. O único combustível em alta em julho foi o óleo diesel (4,59%). O resultado ficou acima do mês anterior (3,82%).
Comida
A comida, por outro lado, ficou mais cara. O grupo de alimentação e bebidas subiu 1,30%, a maior alta em julho. O segmento acelerou em relação a junho (0,80%), contribuindo com 0,28 ponto percentual para o IPCA.
Segundo Kislanov, a inflação da comida foi puxada por leite e derivados. A entressafra e os custos elevados pressionam o setor, indicou o pesquisador.
O leite longa vida saltou 25,46% em julho. Os preços já haviam subido 10,72% no mês anterior.
Derivados como queijo (5,28%), manteiga (5,75%) e leite condensado (6,66%) também avançaram. Outro destaque veio das frutas, com alta de 4,40%.
No lado das quedas, os maiores recuos de preços vieram do tomate (-23,68%), da batata-inglesa (-16,62%) e da cenoura (-15,34%).
Texto: Leonardo Vieceli (Folhapress)
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