quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Cieam reage a novo ataque contra a Zona Franca: 'muita apreensão'

Bolsonaro determinou corte de 10% no Imposto de Importação de produtos comprados no exterior. Medida torna os importados mais atrativos e prejudica competitividade do PIM.
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Presidente do Cieam, Wilson Périco alerta que solução precisa sair em 30 dias (Foto: Reprodução)
Presidente do Cieam, Wilson Périco alerta que solução precisa sair em 30 dias (Foto: Reprodução)

O presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, demonstrou apreensão, após o anúncio de mais uma redução de impostos que favorece a importação de produtos industrializados em detrimento da indústria nacional – e em específico, ao Polo Industrial de Manaus (PIM).

De acordo com empresário, a redução de 10% no Imposto de Importação sobre produtos comprados no exterior, anunciada nesta segunda-feira (23) pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), retira a competitividade de praticamente todos os produtos da Zona Franca de Manaus (ZFM), já que se trata de um corte horizontal do tributo.

Ele reforça ainda o argumento de que, a exemplo do que acontece com a redução de 35% da alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a nova medida adotada pelo Ministério da Economia inviabiliza toda a indústria nacional, uma vez que incentiva a importação de produtos que poderiam ser fabricados no Brasil.

“[Estamos sob] muita apreensão. Mais uma vez, essa decisão vai reduzindo a competitividade da indústria brasileira perante os produtos importados e aqui para nós não é diferente. É a terceira ou quarta redução que este governo promove do imposto de importação e ainda estamos batalhando com esta questão do IPI. Afeta bastante a competitividades dos produtos produzidos do Brasil e, em especial, aqui em Manaus”, lamenta Wilson Périco.

Sobre a redução do Imposto de Importação

O presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou nesta segunda-feira (23) o corte de 10% no Imposto de Importação sobre produtos comprados no exterior.

Essa é a segunda vez que o governo do presidente Bolsonaro reduz esse imposto. Desta vez, a redução engloba 6.195 códigos tarifários da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), mais de de 87% do universo tarifário do país. Ou seja, mais de 6 mil mercadorias serão consideradas, incluindo feijão, carne, massas, biscoitos, arroz e materiais de construção.

A medida torna os produtos importados vindos da China, que competem diretamente com os similares produzidos em Manaus, mais atrativos.

Na prática, com essa redução passa a ser mais vantajoso, por exemplo, importar uma motocicleta do que comprar o mesmo produto nacional produzido no Polo Industrial de Manaus (PIM).

O governo argumenta que a medida visa reduzir os impactos decorrentes da pandemia e do conflito na Ucrânia sobre o custo de vida da população e preços de insumos do setor produtivo.

Texto: Lucas Raposo

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