quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Partidos correm atrás de mulheres para cumprir legislação eleitoral

Partidos têm dificuldades para cumprir a nova regra que reduz o número de candidatos por chapa e obriga que 30% dela seja composta por candidaturas femininas.
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A reforma política trouxe um desafio para os partidos políticos brasileiros, que é aumentar a participação das mulheres na política e por conseguinte elevar a presença delas nas casas Legislativas. Para tanto, todo partido – isolado ou em federação – terá de apresentar 30% de candidaturas de mulheres e destinar valor equivalente do fundo eleitoral para que possam viabilizar as candidaturas delas.

Na eleição para a Câmara Federal, os partidos terão de apresentar uma chapa com nove nomes, sendo que três obrigatoriamente devem ser de mulheres. Para a Assembleia Legislativa as chapas serão formadas por 25 candidatos, sendo oito obrigatoriamente mulheres. E essas candidaturas, explica o especialista em Direito Eleitoral Yuri Dantas, deverão ser competitivas pois uma mulher eleita para a Câmara Federal, por exemplo, conta em dobro para efeito de cálculo da fatia que caberá ao partido dela nos fundos Partidário (pago anualmente) e Eleitoral (pago nos anos eleitorais).

No Amazonas, contudo, não está sendo fácil cumprir essa regra, sobretudo, na eleição para a Câmara Federal, que é a mais importante para as siglas porque, além do acesso aos fundos Partidário e Eleitoral, define também o tempo de propaganda de rádio e televisão que cada partido terá à disposição.

“Poucas mulheres se interessam pela política e poucos partidos mantêm núcleos femininos. O resultado é que está uma correria”, diz um dirigente partidário que pede para não ser identificado.

Partidos de esquerda, como o PT, PSB, PCdoB, PV, PSOL e REDE não terão dificuldades para conseguir cumprir as regras e até mesmo apresentar candidaturas competitivas. Prestes a se aliarem numa federação, PT, PCdoB e PV vão indicar cada um uma candidatura feminina à Câmara Federal, sendo que apenas os comunistas já têm o nome definido, o da ex-senadora Vanessa Grazziottin.

“Nossa conversa ainda está sendo feita nos zonais, mas vamos cumprir sim essa regra”, afirma o presidente do Diretório Estadual do PT, Sinésio Campos. PSOL e REDE também estudam a formação de uma federação e ao menos um nome feminino já está garantido na chapa à Câmara Federa, o da professora indígena Vanda Witoto.

A chapa feminina do Avante, partido do prefeito David Almeida, também já está encaminhada e cumprirá a cota. O nome principal é o da ex-deputada federal Conceição Sampaio, que deverá migrar do PSDB para o Avante. A vereadora de Manaus, Professora Jacqueline (sem partido) e a blogueira Quézia Barros completam o time.

O Partido Liberal, por sua vez, está encontrando dificuldades para fechar a chapa federal com mulheres. O presidente do Diretório Estadual, Alfredo Nascimento, trabalhou até o momento para ter candidatos bons de votos na chapa, como os bolsonaristas  Capitão Alberto Neto (Republicanos) e Delegado Pablo Oliva (PSL), ambos deputados federais; e os deputados estaduais Delegado Péricles (PSL) e Fausto Júnior (MDB). Para atrair candidatas, Alfredo inclusive teve uma conversa com o governador Wilson Lima para pedir-lhe apoio nessa missão.

MDB e PSDB, como mostrou o RealTime1, sequer as chapas estão discutindo, optando por centrar o trabalho na construção das candidaturas majoritárias de suas principais lideranças, o senador Eduardo Braga, que deverá disputar o Governo do Estado, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Neto, que oscila entre disputar uma vaga no Senado Federal ou sair candidato ao governo.

Texto: Gerson Severo Dantas

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