Uma ferramenta tecnológica que padroniza as operações de entrega de alimentos e conversa com todos os softwares da cadeia do delivery (os sites de oferta, os aplicativos de locomoção, os programas de gerenciamento dos restaurantes e outros). Essa é a proposta do ‘Open Delivery‘, lançado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no ano passado, mas que começa a ter as primeira aplicações práticas agora em janeiro, com a missão de melhorar a margem de lucro dos restaurantes e ampliar a concorrência entre os serviços de entrega.
“Agora em janeiro pelo menos 70 operadores de softwares de gerenciamento de restaurantes estarão fazendo uso do ‘Open Delivery’ em seus sistemas”, diz o co-criador e conselheiro da Abrasel, Célio Salles com exclusividade ao RealTime1.
De acordo com Salles, a pandemia de Covid-19, em 2020 ampliou absurdamente a demanda de delivery de refeições e para sobreviver, muitos restaurantes tiveram que aderir ao sistema. Acontece que na experiência, os proprietários foram observando distorções na adaptação do serviço ao seu tipo de negócio. “A proposta do ‘Open Delivery’ é essa: criar um ambiente mais confortável onde o restaurante possa trabalhar com vários agentes e os softwares possam ‘conversar’ entre sí”, diz.
O conselheiro da Abrasel explica que há certa vulnerabilidade na forma como o mercado de delivery está delimitado hoje. A saída da Uber Eats da entrega de alimentos, após a aprovação da Lei 1665/2020 que obriga reparações de entregadores em casos de acidente e outros auxílios, em janeiro, deixou o Ifood com mais de 90% do mercado. “O Ifood responde por 80% das entregas, a Uber Eats, 15% (o aplicativo larga o segmento em março) e os demais, ficam com 5%), informa.
São esses 5% que a Abrasel quer que o ‘Open Delivery’ acolha, ampliado a concorrência para tentar diminuir a tarifa do serviço para os restaurantes que hoje está, em média, em 30%. “E ai hoje, muitas vezes o cliente não quer pagar uma taxa de entrega, então o restaurante acaba tendo que vender mais barato no delivery do que faria no presencial”, ilustra Célio Salles. Com a ferramenta, a expectativa é que outros aplicativos adequem a tarifa para valores mais vantajosos aos restaurantes.
No caso dos entregadores, Célio Salles adianta que está no plano da Abrasel desenvolver soluções para que eles tenham também vantagens e melhores ganhos, inclusive para que possam fazer o serviço de entregas sem a intermediação do aplicativo, ficando livre de taxas. “Agora é preciso mudar a percepção do consumidor que não reconhece que é preciso pagar pelo serviço de entrega. Hoje mais de 50% de quem pede delivery busca taxa grátis de entrega. Só que alguém paga essa entrega e são os restaurantes. Talvez seja o caso de uma campanha nacional”, sugere.
Texto: Emerson Medina
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