O Brasil apresentou ao mundo o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) — iniciativa que promete transformar a conservação das florestas em um ativo econômico global.
A proposta lançada em Belém, nesta quinta-feira (5/11) pelo governo brasileiro, busca remunerar financeiramente os países que mantêm suas florestas em pé, criando um sistema internacional de incentivos para a preservação ambiental.
Com um aporte inicial de US$ 1 bilhão do Brasil, o fundo deve ser oficialmente lançado durante a Cúpula de Líderes da COP30.
A ideia é captar até US$ 125 bilhões de diferentes fontes, incluindo governos, empresas e fundações internacionais, para financiar políticas que mantenham florestas tropicais conservadas.
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O que é o TFFF e qual é a proposta?
O ponto central do TFFF é atribuir valor econômico direto à floresta viva. Hoje, atividades como o desmatamento e a exploração de madeira geram mais lucro imediato do que a preservação.
O fundo pretende mudar essa lógica, oferecendo pagamentos por desempenho ambiental.
Na prática, cada país participante seria recompensado de acordo com o nível de conservação medido por satélites.
Quanto maior a área preservada e menor o desmatamento, maior o valor recebido. A estimativa inicial é de US$ 4 por hectare protegido por ano, criando um estímulo contínuo para que as florestas permaneçam intactas.
Diferente de mecanismos como o REDD+, que remunera apenas pela redução de emissões de carbono, o TFFF propõe pagamentos diretos pela manutenção da floresta em pé, ampliando o conceito de sustentabilidade.
Por que o fundo é estratégico para o Brasil e a COP30?
O TFFF é uma das principais vitrines diplomáticas do Brasil na COP30. O país quer mostrar que proteger a Amazônia é um investimento global, não apenas uma responsabilidade nacional.
A proposta reforça a ideia de que as florestas tropicais prestam um serviço ambiental essencial à humanidade, regulando o clima e armazenando carbono.
Além disso, o fundo fortalece o discurso de que os países desenvolvidos devem financiar ações nos países do Sul Global, já que são os principais responsáveis pelas emissões históricas de gases de efeito estufa.
Como funcionará o pagamento?
O plano prevê levantar até US$ 125 bilhões no total — dos quais US$ 25 bilhões viriam de países e fundações parceiras, e o restante de investidores privados.
O modelo busca unir estabilidade financeira e impacto ambiental, aplicando o dinheiro em investimentos de baixo risco e fora de setores poluentes, como petróleo e carvão.
O Banco Mundial será o responsável pela gestão dos recursos, enquanto o TFFF cuidará da fiscalização e da distribuição dos pagamentos. Cada país precisará comprovar, com dados de monitoramento, que o desmatamento não ultrapassa 0,5% ao ano.
Um ponto importante é que 20% dos valores pagos deverão ser destinados diretamente a povos indígenas e comunidades tradicionais, reconhecendo seu papel como guardiões das florestas.
Quem participa e quando será lançado?
O fundo deve envolver até 74 países tropicais e subtropicais, responsáveis por mais de 1 bilhão de hectares de floresta. Indonésia, Gana, Malásia e Singapura estão entre os interessados.
Entre os possíveis financiadores estão Noruega, Alemanha, França, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos, países que já participam de iniciativas semelhantes, como o Fundo Amazônia.
Quais são as principais críticas?
Apesar da recepção positiva, o TFFF também enfrenta críticas de ambientalistas e organizações sociais. As principais preocupações giram em torno de três pontos:
- Dependência do capital privado, o que pode fazer com que investidores tenham mais influência do que os países beneficiados.
- Risco de desigualdade na distribuição dos recursos, favorecendo nações com maior estrutura de governança.
- Falta de clareza na chegada dos recursos às comunidades locais.
Organizações alertam que o fundo precisa de salvaguardas mais rígidas, evitando que parte dos investimentos acabe financiando setores que geram impacto ambiental, como mineração ou agronegócio ligado ao desmatamento.
Também há pedidos para que a destinação de recursos a povos indígenas e comunidades tradicionais seja transparente e direta, sem intermediações que possam atrasar ou reduzir o repasse
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