terça-feira, 22 de setembro de 2026

Saiba o que é TFFF, fundo lançado pelo Brasil na COP30 para proteger florestas tropicais

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O Brasil apresentou ao mundo o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) — iniciativa que promete transformar a conservação das florestas em um ativo econômico global.

A proposta lançada em Belém, nesta quinta-feira (5/11) pelo governo brasileiro, busca remunerar financeiramente os países que mantêm suas florestas em pé, criando um sistema internacional de incentivos para a preservação ambiental.

Com um aporte inicial de US$ 1 bilhão do Brasil, o fundo deve ser oficialmente lançado durante a Cúpula de Líderes da COP30.

A ideia é captar até US$ 125 bilhões de diferentes fontes, incluindo governos, empresas e fundações internacionais, para financiar políticas que mantenham florestas tropicais conservadas.

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O que é o TFFF e qual é a proposta?

O ponto central do TFFF é atribuir valor econômico direto à floresta viva. Hoje, atividades como o desmatamento e a exploração de madeira geram mais lucro imediato do que a preservação.

O fundo pretende mudar essa lógica, oferecendo pagamentos por desempenho ambiental.

Na prática, cada país participante seria recompensado de acordo com o nível de conservação medido por satélites.

Quanto maior a área preservada e menor o desmatamento, maior o valor recebido. A estimativa inicial é de US$ 4 por hectare protegido por ano, criando um estímulo contínuo para que as florestas permaneçam intactas.

Diferente de mecanismos como o REDD+, que remunera apenas pela redução de emissões de carbono, o TFFF propõe pagamentos diretos pela manutenção da floresta em pé, ampliando o conceito de sustentabilidade.

Por que o fundo é estratégico para o Brasil e a COP30?

O TFFF é uma das principais vitrines diplomáticas do Brasil na COP30. O país quer mostrar que proteger a Amazônia é um investimento global, não apenas uma responsabilidade nacional.

A proposta reforça a ideia de que as florestas tropicais prestam um serviço ambiental essencial à humanidade, regulando o clima e armazenando carbono.

Além disso, o fundo fortalece o discurso de que os países desenvolvidos devem financiar ações nos países do Sul Global, já que são os principais responsáveis pelas emissões históricas de gases de efeito estufa.

Como funcionará o pagamento?

O plano prevê levantar até US$ 125 bilhões no total — dos quais US$ 25 bilhões viriam de países e fundações parceiras, e o restante de investidores privados.

O modelo busca unir estabilidade financeira e impacto ambiental, aplicando o dinheiro em investimentos de baixo risco e fora de setores poluentes, como petróleo e carvão.

O Banco Mundial será o responsável pela gestão dos recursos, enquanto o TFFF cuidará da fiscalização e da distribuição dos pagamentos. Cada país precisará comprovar, com dados de monitoramento, que o desmatamento não ultrapassa 0,5% ao ano.

Um ponto importante é que 20% dos valores pagos deverão ser destinados diretamente a povos indígenas e comunidades tradicionais, reconhecendo seu papel como guardiões das florestas.

Quem participa e quando será lançado?

O fundo deve envolver até 74 países tropicais e subtropicais, responsáveis por mais de 1 bilhão de hectares de floresta. Indonésia, Gana, Malásia e Singapura estão entre os interessados.

Entre os possíveis financiadores estão Noruega, Alemanha, França, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos, países que já participam de iniciativas semelhantes, como o Fundo Amazônia.

Quais são as principais críticas?

Apesar da recepção positiva, o TFFF também enfrenta críticas de ambientalistas e organizações sociais. As principais preocupações giram em torno de três pontos:

  1. Dependência do capital privado, o que pode fazer com que investidores tenham mais influência do que os países beneficiados.

  2. Risco de desigualdade na distribuição dos recursos, favorecendo nações com maior estrutura de governança.

  3. Falta de clareza na chegada dos recursos às comunidades locais.

Organizações alertam que o fundo precisa de salvaguardas mais rígidas, evitando que parte dos investimentos acabe financiando setores que geram impacto ambiental, como mineração ou agronegócio ligado ao desmatamento.

Também há pedidos para que a destinação de recursos a povos indígenas e comunidades tradicionais seja transparente e direta, sem intermediações que possam atrasar ou reduzir o repasse

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