quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Irmãos prometem, mas entregam pouco em sessão conturbada da CPI

Prometendo cair como uma 'bomba' no governo Bolsonaro, o depoimento dos irmãos Miranda à CPI da Covid-19 apenas reafirmou fatos que já haviam sido apontados publicamente.
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Em sessão tumultuada nesta sexta-feira (25) a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, interrogou o servidor do Ministério da Saúde, Luís Ricardo, e o seu irmão, o deputado Luís Miranda (DEM-DF) que confirmaram a narrativa revelada por eles sobre supostas irregularidades na contratação da vacina Covaxin sob intermediação da Precisa Medicamentos.

Ao longo da fala inicial, os irmãos apresentaram slides onde mostravam documentos e prints de conversas em um aplicativo de mensagens, onde Ricardo revelava para o irmão as pressões que havia recebido de seus superiores no Ministério da Saúde, aos quais ele nomeou: Alex Leão Marinho, Roberto Ferreira Dias e Coronel Pires.

Senadores da base governista tentaram por mais de uma vez paralisar a sessão e reconvocar os irmãos separadamente. Divergindo do posicionamento, os oposicionistas acionavam a Mesa Diretora para que a oitiva fosse mantida, situação que causou vários bate-bocas entre os membros da CPI, até que o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD) suspendeu a sessão por 10 minutos.

No retorno, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) tentou sustentar a narrativa de que o servidor agiu de má-fé ao não apresentar a retificação da notas fiscais, que foram enviadas somente após as denúncias sobre os problemas na lisura da contratação.

Já o G7 buscou evidenciar a preferencia dada pelo governo federal na contratação da Covaxin, mesmo sem aprovação da Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) e com um sobrepreço em relação a outras vacinas importadas, além da contratação por meio de uma empresa que já havia apresentado conduta danosa ao Ministério.

O que os irmãos deixaram claro foi o aviso dado ao presidente Jair Bolsonaro e ao ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello sobre a pressão para abrir uma exceção à vacina indiana mesmo com falta de comprovação de boas práticas junto a Anvisa. O deputado ainda indicou uma suspeita ao ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Ônyx Lorenzoni devido às insinuações de que os irmãos teriam forjado documentos.

Texto: Giovanna Marinho

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