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sexta, 30 de julho de 2021

Irmãos bolsonaristas prometem ‘bomba’ na CPI para derrubar República

Além de revelarem que possuem informações quentes do Governo Federal, os irmãos Miranda pediram segurança à CPI após intimidação de Onix Lorenzoni.

24 de junho de 2021

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Os senadores interrogarão os irmãos Miranda a partir das 9h, desta sexta-feira, na CPI da Covid (Foto: Reprodução)

A Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 ouve, nesta sexta-feira (25), a partir das 9h (horário de Brasília), o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, o chefe da Divisão de Importação do Ministério da Saúde, Luís Ricardo Fernandes Miranda. Ambos vão falar sobre as suspeitas de corrupção na compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin por R$ 1,6 bilhão. O imunizante é produzido pela farmacêutica indiana Bharat Biotech e o negócio foi intermediado pela empresa Precisa Medicamentos.

O deputado federal, que até então era da base governista na Câmara Federal, deu declarações fortíssimas contra o Governo Federal após o irmão dele ter sofrido pressões para acelerar o negócio com a Precisa Medicamentos. Luís Miranda promete “derrubar a República” com as informações que promete revelar à CPI.

“Vou elencar datas, entregar documentos e relatar as pressões sofridas pelo meu irmão para liberar esse negócio. Que os senadores tirem as próprias conclusões”, anunciou Luís Miranda.

Já Luís Ricardo Fernandes Miranda, servidor de carreira do Ministério da Saúde, promete repetir na CPI o depoimento dado ao Ministério Público Federal, em 31 de março, quando relatou ter recebido pressões do tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, para acelerar o negócio com a Bharat Biotech e Precisa. Alex Lial era um dos 15 militares levados para a pasta de saúde pelo ex-ministro Eduardo Pazuello, que é general de divisão do Exército.

Alex Lial entrou no radar da CPI, que solicitou informações ao Comando do Exército sobre qual função ele ocupa atualmente. O Exército ainda não respondeu.

Bomba de efeito retardado

O depoimento dos irmãos Miranda foi precedido por uma troca quente de acusações e entrevistas, que começou quando o deputado federal revelou ter informado, no dia 20 de março, o presidente Jair Bolsonaro sobre as suspeitas deste negócio com a Bharat Biotech e a Precisa Medicamentos. “Ele ouviu e ficou de pedir investigações à Polícia Federal”, contou Luís Miranda. Nesta quinta-feira (24), a direção-geral da corporação informou que não há qualquer procedimento de investigação sobre o caso.

Na quarta-feira (23), o ministro-chefe da Secretária de Governo, Onyx Lorenzoni, foi encarregado por Bolsonaro para dar uma entrevista coletiva com a versão do governo e informar que a Polícia Federal foi acionada para investigar os irmãos Miranda pelos crimes de denúncia caluniosa, falso testemunho e falsificação de documentos públicos.

Para a cúpula da CPI, formada pelo presidente, Omar Aziz (PSD), o vice Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o relator Renan Calheiros (MDB-AL), o ministro estava ameaçando e constrangendo testemunhas de uma CPI, crime previsto no Código Penal brasileiro.

Ainda por conta da declaração feita por Onyx, o senador Humberto Costa (PT-SE) apresentou, na sessão desta quinta-feira (24), um requerimento pedindo a convocação do ministro para depor na CPI. O líder do governo, senador Fernando Bezerra (MDB-PE), ponderou a situação, alegando que era melhor convidar Onyx para falar na CPI e não convocá-lo. A decisão será tomada na próxima quarta-feira (30).

Os Miranda, contudo, seguiram no ataque. Ainda nesta quinta-feira (24), o deputado federal encaminhou a Omar Aziz uma carta pedindo que a CPI solicite a prisão imediata de Onyx Lorenzoni por tê-lo ameaçado com investigações da Polícia Federal às vésperas dele prestar depoimento na CPI. Omar não se posicionou sobre este pedido, mas garantiu que os irmãos Miranda vão receber segurança total para depor na CPI.

 Texto: Gerson Severo Dantas

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