O senador Eduardo Braga (MDB) apresentou, nesta quinta-feira (20), durante a segunda fase do depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazzuello, uma reportagem indicando que o colapso de oxigênio em Manaus era previsto desde o dia 6 de janeiro.
Na data, uma matéria publicada pelo Portal A Crítica, intitulada ‘Empresa adota medidas emergenciais para não deixar Amazonas sem oxigênio’, mostrava que as internações subiram 304% entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, fazendo com que a empresa White Martins, principal fornecedora de oxigênio medicinal para o Estado, começava a sentir os impactos dessa escalada nos seus estoques.
À época, a White Martins se pronunciou sobre o assunto e revelou que desde o dia 7 de janeiro o Ministério da Saúde sabia do crescente aumento de consumo de oxigênio medicinal no Amazonas. Pedido esse que, segundo a empresa, foi formalizado no dia seguinte, via e-mail, para o próprio ex-ministro.
Braga destacou que o ex-ministro afirmou, ontem, não saber sobre o eminente colapso pelo desabastecimento do insumo na capital amazonense. Pazuello reforçou os argumentos de ‘blindagem’ ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), atribuindo a responsabilidade pelo colapso no sistema ao Governo do Estado.
O senador amazonense voltou a culpar o ex-ministro pela corresponsabilidade da falta do produto já que a comitiva do Governo Federal estava na capital amazonense naquele período. O próprio governador Wilson Lima (PSC), quando inaugurava a enfermaria de campanha no Hospital Delphina Aziz, no dia 27 de janeiro, já desmentia Pazuello, assegurando que todas as decisões acerca da rede de saúde do Amazonas era repassado ao Ministério e aos órgãos de controle.
“Inclusive quando a gente teve a primeira sinalização de que teríamos problemas com o oxigênio”, disse Wilson Lima à época.
Secretaria de Saúde responde
O RealTime1 entrou em contato com a SES-AM para que o órgão esclarecesse as declarações dadas pelo ex-ministro no depoimento dado à CPI da Covid, hoje (20). Entre alguns pontos falados por Pazuello, o RealTime1 questionou se procedia, ou não, a informação de que não havia, no Plano de Contingência apresentado ao Ministério da Saúde em dezembro, uma estimativa de produção e consumo de oxigênio nas unidades hospitalares. Além disso, buscou-se saber se também é verdade que o fechamento do Hospital de Campanha, na Nilton Lins, foi uma decisão exclusiva do Governo do Estado.
Leia a nota da secretaria na íntegra, abaixo:
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informa que, em nenhum momento no mês de dezembro de 2020, a White Martins relatou a impossibilidade de abastecer a rede estadual de saúde com oxigênio medicinal. Até dezembro de 2020, a SES-AM monitorava a demanda por oxigênio conforme relatório apresentado pela White Martins ao final de cada mês e, até então, a empresa não havia relatado dificuldades para cumprir com o contratado pelo Estado.
Somente no dia 7 de janeiro de 2021 foi que a White Martins relatou dificuldades logísticas para suprir a demanda de oxigênio da rede. Nesse mesmo dia, o secretário Marcellus Campêlo, ligou para o ministro Eduardo Pazuello para solicitar apoio logístico para o transporte de oxigênio de Belém para Manaus, atendendo o solicitado pela White Martins.
A empresa também informou à SES-AM, em reunião, que havia feito um planejamento para suprir a demanda da rede pública e privada de Manaus, diante do aumento na demanda pelo insumo, com o transporte de oxigênio de outras unidades da empresa no Brasil, apresentando inclusive um cronograma de chegada de uma balsa de Belém-PA a cada dois dias.
Ao mesmo tempo, a SES-AM iniciou contatos com outros fornecedores locais de oxigênio para garantir reservas para suprir dificuldades enfrentadas pela White Martins. Além disso, a SES-AM manteve tratativas com o Governo Federal para garantir suporte logístico para que o plano elaborado pela White Martins, de trazer oxigênio de outras plantas da empresa para Manaus.
Ainda no dia 30 de dezembro de 2020, a SES-AM encaminhou ofício ao Ministério da Saúde informando sobre as ações de enfrentamento à Covid-19 que vinham sendo adotadas pelo Estado e que, diante do aumento de casos da doença, solicitou a presença da Força Nacional do SUS para ajudar no monitoramento, orientação técnica, bem como operação local de suporte básico e avançado no atendimento à população nas unidades de saúde do Estado
Somente no dia 13 de janeiro, após convocada pelo Comitê de Estadual de Enfrentamento da Covid-19, do Governo do Amazonas, a White Martins admitiu que não teria condições de manter o abastecimento de oxigênio. De imediato, os Governos do Estado e Federal ampliaram a força-tarefa para normalizar o fornecimento do insumo, esforços que incluíram uma série de medidas, como a ampliação do apoio logístico para transporte de oxigênio de outros estados para Manaus e a transferência de pacientes para atendimento em outras unidades da federação, entre outras medidas.
Ressalta-se que pesquisadores da Fiocruz e da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), em um esforço conjunto de monitoramento genômico, identificaram a prevalência, entre o final de dezembro de 2020 e início de janeiro de 2021, de uma nova variante do novo coronavírus no Amazonas, a P1, muito mais transmissível e letal, responsável pelo aumento exponencial e recorde de internações por Covid-19 no estado.
Texto: Giovanna Marinho
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