Deputados da bancada do Amazonas na Câmara Federal avaliaram, nesta quinta-feira (25), que promessas não cumpridas, erros na condução do combate à pandemia e ataques sistemáticos à Zona Franca de Manaus explicam o resultado da pesquisa de intenção de votos para presidente feita pela Perspectiva Mercado e Opinião na qual o ex-presidente Lula (PT) aparece 12% na frente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) .
Integrante do Centrão, bloco de apoio parlamentar do presidente, o deputado Bosco Saraiva (Solidariedade), considerou que os números da Perspectiva mostram o retrato fiel do atual momento, em que o eleitor percebe os erros do governo e lembra os bons momentos dos governos petistas. Ele cita como exemplo disso a promessa feita há dois anos de pavimentar a rodovia BR-319.
“O prejuízo de não termos a estrada ficou mais patente agora com a crise de oxigênio em Manaus, quando o transporte do produto por via fluvial ou aérea foi muito mais complexo do que se já tivessémos a estrada pronta”, analisa o deputado, acrescentando que pega mal para o Governo Federal os ataques constantes à Zona Franca. “O governo não pode agir como uma biruta de aeroporto, porque é assim que age o Paulo Guedes (ministro da Economia). O que ele diz num dia não vale para o outro”, completa Bosco .
Para Marcelo Ramos (PL), vice-presidente da Câmara eleito na chapa do Centrão apoiada por Bolsonaro, o que surpreendeu foram os números em Manaus, cidade onde o presidente obteve 65% dos votos na eleição de 2018 e agora aparece num empate técnico com Lula. “Sem o Lula elegível, Bolsonaro corria sem nenhuma sombra para a reeleição. Lula elegível, criou uma sombra. Criou-se um oponente para essa política errada de combate a pandemia”, afirma o deputado.
José Ricardo do PT atribui os bons números obtidos por Lula à boa recordação do tratamento que ele dispensou ao Amazonas. Ele cita a prorrogação da Zona Franca, a ponte Rio Negro concluída no governo Dilma Rousseff, a elevação de três para 16 escolas técnicas no municípios do interior.
“Em 2018, o Bolsonaro ganhou do Hadadd (Fernando) no Amazonas por somente nove mil votos. No interior só ganhou em Apuí. No segundo turno em Apuí e Guajará e em Manaus, onde logicamente fez a diferença. Lula foi o presidente que mais veio ao Amazonas, veio a Manaus várias vezes, foi ao Festival de Parintins, esteve em Coari para lançar o gasoduto. Isso está ne memória das pessoas”, comenta Zé Ricardo.
O deputado Sidney Leite (PSD), também do Centrão, viu os números da pesquisa com ceticismo, ponderando que ela é um retrato do momento e ainda há muita água para passar debaixo da ponte da eleição. Ele reconhece a boa lembrança que os governo de Lula tem no imaginário do amazonense, mas o presidente Bolsonaro está no exercício do cargo e até a eleição o quadro deverá ser outro. “Os erros na condução da pandemia também sinalizam para a desaprovação do governo”, completou Sidney.
Texto: Gerson Severo Dantas
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