quarta-feira, 23 de setembro de 2026
INFRAESTRUTURA

Governo Federal anuncia três rodovias federais na Amazônia, mas BR-319 fica de fora

Ministra do Planejamento, Simone Tebet, fala em evento realizado no município de Tabatinga, no Amazonas
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Ministra do Planejamento, Simone Tebet, fala em evento realizado no município de Tabatinga, no Amazonas
Ministra do Planejamento, Simone Tebet, fala em evento realizado no município de Tabatinga, no Amazonas

Enquanto o Amazonas espera pela reconstrução do trecho central da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho/RO), a Ministra do Planejamento, Simone Tebet, confirmou, em evento realizado no município de Tabatinga, no Alto Solimões, a realização de três grandes obras viárias em rodovias federais que beneficiam o Acre, estado de origem da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tida como adversária da reconstrução da BR-319.

As três obras integram as chamada rotas do “Quadrante Rondon”, fundamental para conectar o Norte brasileiro aos portos do Peru, oferecendo ao Acre uma saída estratégica para o Pacífico.

Conforme o Ministério do Planejamento, a rota Quadrante Rondon coloca o Acre como ponto de passagem obrigatória para cargas recebidas e enviadas pelo Porto de Chancay, no Peru, desafogando o Porto de Santos, em São Paulo.

Tebet detalhou as obras necessárias para a inclusão da rota 3, o Quadrante Rondon.

Para essa rota operar, o Acre precisa de três obras: a construção do contorno de Brasiléia, na BR-317, que em maio tem edital aberto para licitação; a construção de duas pontes na BR-425 que faz divisa com Rondônia, que devem estar prontas nesse semestre; e a ponte de Guajará Mirim ao custo de R$ 430 milhões, com três quilômetros de extensão. Essa rota só tem sentido quando envolve Rondônia”, explicou Tebet.

A BR-317 liga a capital Rio Branco até a fronteira com o Peru, a partir de onde a estrada passa a se chamar rodovia Interoceânica e segue até o Sul do País vizinho, fazendo uma ligação estratégica com o porto de Chancay, que deverá ser entregue por um consórcio chinês no final deste ano.

Com Chancay operacional, a estrada vai integrar a chamada nova rota da seda, um cinturão logístico imaginado e financiado com capital chinês e brasileiro para fazer a ligação rodoviária entre os dois ocenados.

As outras obra citadas por Simone Tebet são na BR-425, que liga Guajará Mirim, em Rondônia, com a rodovia BR-364, que interliga Rio Branco a Porto Velho e segue em direção a São Paulo, grande centro consumidor dos produtos que serão transportados pela nova rota da seda.

Em comum com a rodovia BR-319, as obras citadas por Simone Tebet têm a situação precária de trechos importantes que receberão investimento do Governo Federal e estarem dentro do bioma Amazônia.

Relatório de GT da BR-319 segue em sigilo

O Ministério dos Transportes mantém em sigilo, desde 22 de fevereiro, sobre o relatório final de um grupo de trabalho montado para avaliar os gargalos para o licenciamento ambiental da BR-319.

Esse GT promoveu três audiências pública em Brasília, Manaus e Porto Velho, foi integrado por servidores do Ministério dos Transportes, mas não teve representantes do Ministério do Meio Ambiente ou do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que é o órgão responsável pelo licenciamento do trecho central da rodovia.

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