quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Virada nas redes: esquerda assume protagonismo digital e direita perde força

COMPARTILHE
Usuário acessa redes sociais pelo celular e computador, representando novas regras do ECA Digital.
Brasil terá novas regras para o uso de redes sociais e chatbots a partir de março de 2026, conforme o ECA Digital.

A disputa entre “esquerda e direita” nas redes sociais, que durante anos foi dominada pelo bolsonarismo, mudou de lado. Levantamento da consultoria AP Exata mostra que, desde julho, o campo progressista passou a liderar as discussões políticas online, revertendo uma desvantagem que persistia desde o início do terceiro mandato de Lula.

O estudo revela que a esquerda, impulsionada por uma comunicação mais coordenada e pela desarticulação dos grupos conservadores, assumiu o protagonismo digital em temas centrais como a guerra tarifária com os Estados Unidos e a PEC da Blindagem.

A virada ocorre após um longo período em que o governo enfrentou índices altos de rejeição nas plataformas — no auge da crise do IOF, Lula chegou a ter quase 80% de menções negativas no X e no Instagram.

📲 Participe do canal do RealTime1 no Instagram

O novo cenário reflete tanto uma reorganização do discurso progressista quanto os erros estratégicos da direita. Nos últimos meses, ninguém discutiu o governo, e sim as ações equivocadas da direita. Isso abriu espaço para o governo respirar e reconquistar apoio digital.

Já a esquerda abandonou pautas de costumes e passou a priorizar temas econômicos, como renda, emprego e isenção de impostos. A estratégia aproximou o discurso do sentimento popular.

Virada digital e erros estratégicos da direita

A reação da esquerda começou após a crise do IOF. A campanha “ricos contra pobres”, lançada nas redes pelo PT, marcou o ponto de virada, levando Lula a alcançar 64% de menções positivas.

Em seguida, o chamado “tarifaço” de Donald Trump contra o Brasil reforçou a narrativa nacionalista, ajudando o governo a se reposicionar no debate digital.

Enquanto isso, a direita se perdeu em disputas internas e pautas impopulares. A defesa da PEC da Blindagem, que limita investigações contra parlamentares, e o apoio à anistia de Jair Bolsonaro geraram rejeição até entre eleitores conservadores.

No X e no Instagram, 51,6% das menções sobre a anistia foram contrárias, e a PEC da Blindagem recebeu apenas 14,2% de apoio.

Com Jair Bolsonaro longe das redes por proibição de Alexandre de Moraes, a falta de liderança e unidade entre os bolsonaristas também enfraqueceu o campo conservador.

Para a esquerda, a leitura é oposta. Apoiadores acreditam que a ascensão digital decorre da defesa de temas concretos, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda e a taxação dos super-ricos.

Nos bastidores, a preocupação agora é manter a vantagem. O PT, por exemplo, planeja ampliar a presença digital, investir na formação de militantes e fortalecer influenciadores regionais.

A disputa, porém, está longe do fim: basta uma pauta mal comunicada — ou uma crise econômica — para inverter novamente o jogo.

Leia Mais:

COMPARTILHE