A vazante dos rios no Amazonas voltou a colocar na pauta política a necessidade de recuperação da rodovia BR-319, a Manaus-Porto Velho (RO). Em reunião com o governador Wilson Lima (União) e a bancada do Estada, em Brasília, ministros e o presidente Lula voltaram a ouvir a defesa desta obra.
As críticas mais fortes recaíram sobre a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, uma opositora da reconstrução da estrada por entender que ela estende o chamado arco do deflorestamento para regiões ainda intocadas da Floresta Amazônica, no Oeste do Estado.
Num encontro com os ministros dos Transportes, Renan Filho, e dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, para discutir ações emergenciais relacionadas à seca que atinge o Estado, o senador Omar Aziz (PSD) foi enfático nas críticas a Marina Silva.
“Eu a condeno por fazer com que o meu Estado fique isolado. Ela não tem propostas ambientais para o Brasil. Só sabe dizer ‘não pode’ e ‘não deve’. Eu estou acusando a Marina Silva de ser a responsável pelo isolamento do meu Estado, do povo do Amazonas“, disse o senador.
O deputado federal Saullo Vianna (União-AM) reafirmou ao presidente Lula e aos ministros que se a BR-319 estivesse pronta, ela amenizaria os impactos causados pela vazante dos rios Amazonas e Madeira, principais vias de acesso de matérias-primas e escoamento de produção das industrias da Zona Franca.
“A gravidade desta situação que estamos passando no Amazonas expõe as nossas dificuldades e a importância de termos uma via de ligação com o resto do País. Se hoje tivéssemos a BR-319, muitos destes problemas não seriam tão graves porque teríamos outro modal para que as pessoas pudessem ir e vir e para que nosso estado pudesse ser abastecido”, afirmou o parlamentar, ao dirigir-se ao presidente Lula para pedir uma solução para o licenciamento da BR-319.
BR-319 fora do PAC3
A bancada do Amazonas atribui a uma ação política da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a retirada da obra de recuperação e asfaltamento do trecho central da rodovia BR-319 do Plano de Aceleração do Crescimento 3, lançado no mês passado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).
A estrada é considerada essencial para tirar Manaus e todo o Estado de Roraima do isolamento rodoviário do restante do País e, em mais de uma oportunidade, as populações dos dois Estados sofreram com a falta dela em casos de necessidades logísticas.
O caso mais emblemático até hoje citado por parlamentares das bancadas do Amazonas, Roraima e também Rondônia diz respeito à crise da falta de oxigênio nos hospitais de Manaus, em janeiro de 2021, durante a segunda onda da pandemia de Covid-19.
Na ocasião, Manaus ficou mais de 15 dias sem o oxigênio necessário para abastecer hospitais e estima-se que quase 200 pessoas morreram por falta deste insumo. A crise só foi debelada depois que chegaram tanques de oxigênio trazidos da Venezuela, pela BR-174 (Manaus-Boa Vista) e balas do gás trazidas de avião.
Na ocasião também foram trazidos tanques de oxigênio de Porto Velho, mas a viagem foi tão difícil que durou quase três dias para ser concluída.
Em sua defesa, Marina Silva relembrou ao RealTime1 que encerrou a primeira passagem dela pelo ministério do Meio Ambiente, em 2007, e passados 16 longe de Brasília – e quatro presidente da República – a estrada continua sem ter sido recuperada ou asfaltada, portanto essa é uma culpa que não cabe a ela.