terça-feira, 22 de setembro de 2026

Transatlânticos chegam a Belém e ampliam capacidade de hospedagem para a COP30

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Imagem aérea mostra o navio MSC Seaview atracado no Terminal Portuário de Outeiro, em Belém (PA), com o Costa Diadema ao fundo navegando pelo rio Pará. As embarcações gigantes, com mais de 70 metros de altura e milhares de cabines, foram contratadas pelo governo federal para servir de hotéis flutuantes durante a COP30, oferecendo hospedagem a delegações internacionais.
Os transatlânticos MSC Seaview e Costa Diadema, maiores que prédios de 24 andares, chegaram a Belém para abrigar delegações da COP30 (Foto:Gabriel Della Giustina/COP30)

Os dois navios de cruzeiro contratados pelo governo federal para servir como hotéis flutuantes durante a COP30 já estão ancorados no Porto de Outeiro, em Belém (PA).

As embarcações MSC Seaview e Costa Diadema, com alturas superiores a prédios de 24 andares, oferecem juntas cerca de 6 mil leitos e 3.900 cabines, reforçando a capacidade de hospedagem da capital paraense para o maior evento climático do planeta.

Os hóspedes poderão fazer o check-in a partir desta quarta-feira (5). A operação, coordenada pela Secretaria Extraordinária da COP30 (Secop), integra o plano do governo federal para dobrar o número de leitos disponíveis em Belém — que passou de 23 mil para 53 mil — e garantir uma conferência inclusiva e sustentável.

Luxo em alto mar: os transatlânticos da COP30

Ambos os navios saíram da Itália no dia 23 de outubro, apenas com tripulantes e 60 passageiros, e foram abastecidos para receber as delegações entre 10 e 21 de novembro.

O MSC Seaview, construído pelo estaleiro italiano Fincantieri em Monfalcone, tem 20 decks, 74 metros de altura, 323 metros de comprimento e 150 mil toneladas.

Já o Costa Diadema, inaugurado em 2014, possui 19 decks, 61,4 metros de altura e 306 metros de comprimento, pesando 133 mil toneladas.

As embarcações contam com piscinas, spas, academias, restaurantes e cabines de luxo, e já têm 1.700 leitos reservados, segundo o governo federal.

A oferta será mediada pela UNFCCC, órgão da ONU responsável pela conferência, com prioridade para 73 países e diárias de até US$ 200.

O ministro do Turismo, Celso Sabino, visitou as instalações do Costa Diadema e destacou o padrão internacional da estrutura.

“É um orgulho ver o nível de excelência da estrutura que estará à disposição dos participantes da COP30. Esses navios simbolizam o empenho do governo federal em garantir conforto e qualidade para quem vem à Amazônia discutir o futuro do planeta”, afirmou.

Operação logística e segurança 24h

O trajeto entre os navios e o Parque da Cidade, onde funcionará a Blue Zone da COP30, será feito em cerca de 30 minutos por ônibus oficiais gratuitos que circularão por faixas exclusivas do BRT e pela nova ponte de acesso rápido, inaugurada em outubro.

Segundo Gabriela Lima, diretora de projetos da Secop, o sistema de deslocamento contará com 50 veículos elétricos e um circuito interno de 1,2 km dentro do porto, percorrido em 3 minutos até a área de receptivo.

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A partir dali, os hóspedes utilizarão o transporte oficial da conferência. “O serviço vai operar 24 horas, garantindo o acesso à Blue Zone com rapidez e segurança”, explicou.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, também testou o percurso e confirmou a eficiência. “Cronometrei 33 minutos e 27 segundos do local da COP até o Porto de Outeiro. Durante o evento será ainda mais rápido, com vias exclusivas para os ônibus.”

A contratação dos navios integra a estratégia do governo do Brasil para aumentar a oferta de hospedagem durante a conferência. (Foto:Gabriel Della Giustina/COP30)

Porto de Outeiro: novo marco para o turismo amazônico

Para receber os transatlânticos, o Terminal Portuário de Outeiro passou por uma transformação completa, com investimento de R$ 233 milhões da Itaipu Binacional.

O projeto, executado pela Companhia Docas do Pará (CDP), ampliou o píer de 261 para 716 metros, com capacidade para 80 mil toneladas — o dobro da anterior.

As obras incluíram 11 dolphins, 10 pontes metálicas e um moderno centro de recepção de passageiros, com áreas de embarque, desembarque e equipamentos de raio-X.

Concluídas em apenas seis meses, as intervenções contaram com frentes de trabalho 24 horas por dia. “Em tempo recorde, entregamos um porto pronto e preparado para ser a porta do turismo internacional na Amazônia”, afirmou Jardel Rodrigues da Silva, presidente da CDP.

O ministro Rui Costa destacou o impacto econômico da nova infraestrutura. “Esse porto vai impulsionar o desenvolvimento social, econômico e turístico do Pará. Belém entra definitivamente na rota do turismo internacional.”

Controle de imigração e segurança internacional

Após a atracação, a Polícia Federal iniciou o controle migratório de 1.344 tripulantes e 31 passageiros do Seaview, além de 1.117 tripulantes e 34 passageiros do Diadema.

A fiscalização utiliza o sistema Porto Sem Papel, que automatiza os passes de entrada e saída do terminal.

A chegada dos navios despertou curiosidade entre os moradores de Outeiro e Icoaraci, que acompanharam de longe a manobra dos gigantes do mar — o primeiro atracou às 8h30 e o segundo, às 9h30.

Segundo o secretário extraordinário da COP30, Valter Correia, a operação simboliza um novo momento para o Pará. “O Porto de Outeiro vai transformar a região e colocar Belém e o Norte do Brasil no mapa dos grandes roteiros turísticos.”

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