Os brasileiros que trabalharam por meio de aplicativos em 2024 tiveram um rendimento médio mensal de R$ 2.996, cerca de 4,2% superior ao dos trabalhadores que não atuavam por plataformas digitais (R$ 2.875).
No entanto, essa vantagem vem acompanhada de uma jornada mais longa e de condições mais precárias.
Segundo dados divulgados na última sexta-feira (17/10) pelo IBGE, os chamados plataformizados trabalharam, em média, 44,8 horas semanais, enquanto os não plataformizados cumpriram 39,3 horas.
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Isso significa que, embora ganhem um pouco mais, os trabalhadores por aplicativo recebem R$ 15,4 por hora, valor 8,3% inferior ao dos demais (R$ 16,8/hora).
A pesquisa, que está em sua segunda edição, identificou 1,7 milhão de pessoas que têm aplicativos como principal forma de intermediação de trabalho, abrangendo motoristas, entregadores e profissionais de serviços gerais ou especializados — de designers a médicos que fazem consultas online.
Esse número cresceu 25,4% em relação a 2022, quando esses trabalhadores somavam 1,3 milhão, o equivalente a 1,5% do total.
Informalidade é regra, não exceção
Apesar de movimentarem a economia digital, esses trabalhadores enfrentam uma realidade de alta informalidade e pouca proteção social.
Enquanto 43,8% dos trabalhadores em geral estavam na informalidade em 2024, entre os plataformizados essa taxa salta para 71,7%.
Apenas 35,9% contribuem para a Previdência, o que significa que a maioria não tem acesso a benefícios como aposentadoria e pensão.
Entre os motoristas de aplicativo, o rendimento médio foi de R$ 2.766, valor R$ 341 superior ao dos motoristas tradicionais, mas à custa de cinco horas extras semanais.
Já entre os motociclistas, o cenário se inverte parcialmente: quem trabalha por app teve renda 28% maior e remuneração por hora mais alta, mas com 84% de informalidade.
O debate sobre o vínculo empregatício entre plataformas e trabalhadores chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que deve retomar o julgamento em novembro.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), porém, já se manifestou contra o reconhecimento do vínculo — uma decisão que, dependendo do desfecho, pode redefinir o futuro de milhões de brasileiros na economia digital.
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