A principal indústria de armas do País reclamou, ao divulgar o balanço trimestral, da falta de regulamentação do Decreto 11.366/23, que endureceu as regras para produção, posse e porte de armas após um período de praticamente liberalização do acesso a revólveres, pistolas e fuzis.
A Taurus comunicou ao mercado que no terceiro trimestre do ano teve uma receita de R$ 439,3 milhões, com margem bruta de 37,5%. É um quadro diferente do vivenciado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando a política favorável às armas impulsionou vendas em todo o país.
“As condições do mercado de armas não apresentaram significativa alteração em relação ao visto desde o começo deste ano. É uma conjuntura oposta ao vivenciado em anos anteriores, quando a questão jurídica relativa ao setor no Brasil estava claramente definida e a demanda estava em forte alta no mercado norte-americano“, escreveram os executivos da empresa.
Segundo a Taurus, as mudanças percebidas nos resultados são reflexos das condições dos ajustes aos mercados em que atua: mercado nacional onde houve a mudança do cenário político, com a edição do Decreto 11.366/23, porém sem sua regulamentação até o momento; no mercado norte-americano.
“O ajuste do NICS (National Instant Criminal Background System) ao patamar acima da pré pandemia; alta da inflação; adequação de mix de produtos e ajustes dos estoques dos distribuidores para níveis mais baixos, visando reduzir seus custos financeiros; e no mercado mundial, as licitações internacionais estão em processos mais morosos, principalmente, após o início da guerra da Ucrânia“, registrou a Taurus.
A produção de revólveres foi responsável por cerca de 45% do volume total de armas produzidas no 3º trimestre de 2023, ante aproximadamente 30% no mesmo período de 2022, ganhando espaço em relação à produção de pistolas, que passou de 69% no 3º trimestre de 2022 para 55% no 3º trimestre de 2023.
No Brasil, a economia vem apresentando dados conflitantes que combinam, de um lado, a preocupação com os gastos públicos e o déficit primário e, de outro, a expectativa de crescimento econômico de 3,3%, de acordo com projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Armas: produção, posse e porte limitados
Especificamente sobre o setor de armas, a empresa registra que, em 1º de janeiro de 2023, foi publicado o Decreto 11.366 que estabelecia restrições para o setor e deveria ser regulamentado no prazo de três meses, o que não ocorreu.
A incerteza paralisou o mercado, com consumidores e lojistas interrompendo suas compras até que a questão fosse definida. Apenas em 21 de julho foi publicado o novo Decreto. No entanto, permanecem algumas incertezas a serem esclarecidas pelos órgãos reguladores, uma vez que foi estabelecido o limite máximo de energia em joules autorizado para as armas a serem vendias no mercado brasileiro, mas sem a apresentação de uma tabela de calibres.
Até o momento, novas aquisições de armas por parte de CACs (colecionador, atirador desportivo e caçador) estão basicamente interrompidas.
Assim, a demanda no mercado brasileiro segue reprimida até que o aspecto jurídico esteja plenamente esclarecido e os processos de autorização para a compra de armas normalizados. Quando isso ocorrer, a Taurus está pronta para atender os consumidores.
Nesse sentido, continua realizando diversos lançamentos de produtos, tendo apresentado ao mercado 16 novos modelos durante o 3º trimestre de 2023. Com base em sua capacidade de desenvolvimento tecnológico, está criando um calibre .38 dentro do limite máximo de energia estabelecido pela legislação.
É uma tecnologia incremental desenvolvida pela Taurus, de um novo calibre para pistolas criado para ocupar o espaço deixado pelo calibre 9mm, que passou a ser de uso restrito. No início de 2024, quando provavelmente já haverá a regulamentação do Decreto 11.366, a empresa pretende lançar as versões das pistolas compactas G2C e GX4 com esse novo calibre.