quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Sociólogo diz que foi cômodo para Arthur apoiar Amazonino e 'descartar' Plínio

A crise já comentada em todo país no PSDB também chegou ao Amazonas. Por aqui, o senador já garantiu que não há possibilidade de reconciliação com o ex-prefeito de Manaus.
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Plínio

Em mais um indicador da crise interna do PSDB, o senador tucano, Plínio Valério não acredita em um acordo com o presidente estadual da legenda e pré-candidato ao Senado, Arthur Virgílio Neto. Os dois bateram de frente desde que Plínio Valério anunciou seu próprio nome para concorrer ao Governo do Estado, enquanto Arthur apoia Amazonino Mendes (Cidadania), nome que parece mais perto de ser o indicado da federação em nível nacional entre os dois partidos.

Segundo o sociólogo, analista político, professor Gilson Gil, Amazonino liderar pesquisas tornou “cômodo” para Arthur tê-lo como opção para que obtenha vantagens na corrida para o Senado.

“Amazonino está na liderança (segundo as pesquisas, mas em empate técnico com Wilson Lima dentro da margem de erro) e isso foi cômodo para Arthur”, avalia o sociólogo.

Por outro lado, Gilson Gil destaca que Plínio Valério é o tucano com maior cargo dentro do PSDB e que tem lutado pelo seu espaço, não querendo ceder facilmente para Amazonino.

“Certamente Arthur acenou com a perspectiva de poder estadual, (em caso de eleição de Amazonino) e isso deve ter seduzido a direção nacional do PSDB a apoia-lo”, conclui.

Perda de força

Legenda que já abrigou nomes de relevância na política nacional como Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e José Serra, o PSDB perdeu o protagonismo que chegou a dividir com o PT e o MDB durante os anos 1990 e início dos anos 2000.

De acordo com o sociólogo, analista político, professor Gilson Gil da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), os nomes mais novos do partido como Aécio Neves e João Doria estiveram na mira da operação Lava Jato ou foram eleitos inimigos da ala bolsonarista.

“João Alckmin que seria uma liderança remanescente debandou para o PSB ( para ser candidato à vice-presidente da chapa de Luiz Inácio Lula da Silva do PT). Novos líderes como Eduardo Leite (ex-governador do Rio Grande do Sul) também não se firmaram e não emplacaram”, diz o professor.

Gilson Gil afirma ainda que a polarização entre Lula e Bolsonaro deixou o PSDB sem espaço e que, por isso ele não deve ter um bom desempenho nas eleições 2022. “Contudo novos cenários devem surgir após esta eleição e o PSDB pode voltar a ocupar espaço na política brasileira. A questão é definir qual sua linha diante da competição entre Lula e Bolsonaro”.

Sem volta

“Não vejo a menor possibilidade de reconciliação com Arthur. Ele saiu da rota e agora deve seguir o caminho que escolheu”, disse Plínio Valério ao RealTime1 , adiantando que deve anunciar sua decisão sobre a manutenção da sua candidatura ao Governo do Amazonas nesta sexta-feira (3).

Para o senador tucano, o PSDB sai menor em nível local e nacional ao abrir mão de candidaturas próprias. “É fatal para o PSDB que está se apequenando e fugindo de sua responsabilidade histórica de grande partido”, afirma.

O comentário de Plínio pode ser ampliado num maior debate porque, além da crise regional, o partido decidiu abrir mão da candidatura à Presidência da República de João Doria, ex-governador de São Paulo, que foi convidado a retirar seu nome. O partido negocia com o MDB para apoiar Simone Tebet, que já tem o apoio do Cidadania.

Procurado para responder ao senador e comentar as decisões do PSDB-AM, Arthur Neto, por meio da assessoria, limitou-se a comentar sobre as candidaturas para Presidência e Governo do Estado, ignorando as atuais divergências com o senador Plínio Valério.

Sobre o Governo, Arthur respondeu que a decisão do nome de Amazonino Mendes “veio da executiva nacional, haja a vista a federação PSDB-Cidadania”. Quanto a saída de Doria da corrida presidencial, Arthur lembrou manifestações anteriores em que defendeu que se mantivesse a decisão das prévias do ano passado (que elegeram Doria como pré-candidato).

Texto: Emerson Medina

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