Embora projete um aumento do PIB brasileiro neste ano maior que o previsto em novembro de 2022, o setor de seguros brasileiro revisou a projeção de crescimento da arrecadação em 2023 de 10,1% para 9,4%. O maior impacto no ajuste global de 0,7% na projeção se deu em função dos seguros de pessoas (vida e previdência).
Os dados foram divulgados pelo presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira.
“Quando a gente olha a decomposição do mercado, a gente está aumentando o seguro de danos e responsabilidades, mas a parte de vida e previdência está caindo”, disse Oliveira. “A previdência tem um efeito muito grande em termos de composição do setor”, observou.

“O principal contribuinte para redução da nossa projeção é o seguro de pessoa, tanto o vida, que é o risco, que está caindo de 10,1% para 6,3%, quanto a previdência, que está caindo de 7,7% para 6,1%. A previdência ela tem muito mais peso. Então, essa pequena redução tem muito impacto em termos do cômputo geral do setor”, reforçou.
Se em termos absolutos o segmento previdenciário puxou a queda, percentualmente a maior redução na projeção de crescimento foi do seguro rural. Em novembro de 2022, a previsão da CNseg era de que houvesse um crescimento de 20,6% para a área, mas agora a previsão caiu para 9,1%.
“Basicamente, isso tem a ver com a limitação dos recursos da subvenção [Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, o PSR]. A gente esperava ter uma subvenção de R$ 2 bilhões esse ano e até agora só foi liberado R$ 1 bilhão. Esse número pode mudar ao longo do ano ainda, mas dada essa limitação de R$ 1 bilhão de subvenção a gente está reduzindo a expectativa de crescimento para 9,1%”, explicou Oliveira.
Apesar da redução, o percentual de crescimento do setor de seguros é positivo, segundo o presidente da confederação.
“Ainda assim, é um número maravilhoso [o crescimento de 9,1%]. A gente está falando de uma inflação de 5% e o setor crescendo 9%, estamos falando de um crescimento real de 4% esse ano. Ainda é um número muito bom, muito satisfatório”, destacou.

CNseg projeta alta de 3,2% do PIB brasileiro em 2023
A CNseg também revisou a projeção do cenário macroeconômico (veja na tabela abaixo). A revisão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 1% acima da projetada em novembro de 2022.

“Naquela época, a expectativa geral do mercado era de 0,7% e a CNseg foi a primeira instituição que jogou uma previsão de crescimento acima de 2%. Como dizia o ministro, o mercado [financeiro] estava com 0,7%, o governo com 1,9% e a CNseg com 2,2%. Mas, estava todo mundo errado. O crescimento vai ser maior que 3%. Então, a gente está reajustando a nossa projeção de PIB para 3,2% [de crescimento]”, destacou Dyogo Oliveira.
“É um cenário bem mais positivo do que era lá no final do ano passado e a gente fica muito feliz de ter antecipado que o crescimento seria bem maior do que o mercado estava prevendo e agora a gente ainda está jogando um pouco mais para cima com as nossas projeções”, comemorou.
O mercado segurador – que inclui empresas de seguros gerais, previdência privada e vida, saúde suplementar e capitalização – representa hoje cerca de 6,5% do PIB brasileiro e tem como meta chegar em 10% até 2030, conforme o (PMDS), aumentando em 20% a população atendidas pelos produtos do setor.
Veja outras previsões de crescimento do PIB – atualizadas em 04/out/2023
- Boletim Focus (mercado financeiro) – 2,92%
- Banco Central – 2,92%
- CNseg – 3,20%
- Ministério da Fazenda – 3,20%
- Ipea – 3,30%
- Unctad/ONU – 3,30%