O Polo Industrial de Manaus (PIM) apresentou redução de 23,7% na produção de bicicletas no ano passado em relação a 2022. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (15), pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
O total de unidades produzidas no ano caiu de 599.044, em 2022, para 456.917 em 2023. O mês de dezembro de 2023 foi o mais impactante, com uma queda de 50,3% na produção em relação a dezembro de 2022, totalizando apenas 7.245 unidades.
O que pode explicar esse fator é que a produção em 2020 e 2021 teve um boom em decorrência da pandemia da Covid-19, um período onde, de forma ‘solitária’ as pessoas buscavam meios de continuar com suas atividades físicas diárias. Em 2020, por exemplo, foram 625.786 unidades. No ano seguinte, este número aumentou para 723.950.
“Com a pandemia, houve um boom na procura de bicicletas. Todo mundo procurou comprar uma bicicleta para poder se deslocar sem risco de contaminação e para fazer alguma atividade física. Esse movimento aconteceu no mundo inteiro. Durante a pandemia, as fábricas estavam produzindo e vendendo, mas depois deu uma desaquecida e os vendedores ficaram com os estoques cheios“.
Marcelo Aguiar, Coordenador do Pedala Manaus
Destaque para as elétricas
Apesar da retração geral, a produção de Mountain Bike (MTB) manteve-se como a categoria mais produzida, representando 59,8% do total. No entanto, o destaque do ano foi para as bicicletas elétricas. Embora correspondam a apenas 2,5% do volume total produzido pelo PIM, estas bicicletas tiveram um crescimento de 6,2% em comparação com 2022, refletindo uma tendência global de aumento na procura por este tipo de veículo.
“A oportunidade do usuário substituir o transporte público por bicicleta é uma oportunidade para nós nesse ano para manter essa questão da inovação e de novas tecnologias. A gente vê cada vez mais essa parte de bike elétrica vindo forte, muita coisa sendo inovada nessa área, muita tecnologia, nova questões de bateria com durabilidade. A gente acredita realmente que ao longo dos próximos cinco anos ela vai dar mais um salto e até realmente entrar no mesmo modelo de bicicleta analógica”.
Fernando Rocha, vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo
Mercado consumidor
No que se refere à distribuição regional, a maior parcela das bicicletas produzidas no PIM foi destinada à Região Sudeste do Brasil, que recebeu 250.977 unidades, equivalente a 54,9% do total. A Região Sul ficou em segundo lugar, com 78.262 unidades (17,1%), seguida pelo Nordeste (63.035 unidades, 13,8%), Centro-Oeste (39.510 unidades, 8,6%) e Norte (25.133 unidades, 5,5%).
O Brasil, com a produção de motocicletas e bicicletas concentrada principalmente no PIM, figura entre os maiores produtores mundiais nestes segmentos, sendo o sétimo maior produtor de motocicletas e o quarto maior de bicicletas. Este setor é responsável pela geração de aproximadamente 16,8 mil empregos diretos em Manaus.
“Tem que ser definida alguma estratégia para que esse consumo volte a acontecer. Isso implica desde abrir linhas de crédito para compra de bicicleta e incentivos à produção, à compra (…) e investimento em infraestrutura, como ciclovia, ciclofaixa, enfim, criar condições que o ciclista seja estimulado a comprar uma bicicleta”
Marcelo Aguiar, Coordenador do Pedala Manaus
Projeções para 2024
Segundo previsões da Abraciclo, a produção de bicicletas deverá alcançar 360 mil unidades em 2024, um volume 21,2% inferior na comparação com 2023, consequência da mudança do mercado que exige, cada vez mais, produtos de maior valor agregado da indústria.
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