quarta-feira, 23 de setembro de 2026
FIM DA ESTIAGEM

Serviço Geológico diz que Rio Negro está na fase final de vazante 

O Rio Negro continua em processo de subida e a vazante pode estar chegando ao fim.
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Rio Solimões começa a subir e aponta esperança do fim da vazante histórica no Amazonas.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou, nesta sexta-feira (03/11), o 47º Boletim de Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas mostrando que o Rio Negro está em processo de subida e que vai entrar em estabilidade, pois a vazante do rio, na área de Manaus, está chegando ao fim.  

Segundo os dados do porto de Manaus, o Rio Negro vem subindo desde o dia 27 de outubro. Os munícipios da região metropolitana, como Manacapuru e Itacoatiara também apresentam indícios de que a vazante está chegando ao fim.  

Para o SGB, o rio pode até sofrer certas oscilações nesse período, pois está em processo de fim de vazante e início de recuperação. A Região da cabeceira do Rio Negro afeta a área de Manaus, a do Solimões a área de Manacapuru e do Rio Madeira o município de Itacoatiara.  

“Nessa fase de final de vazante, até recuperar o nível do rio, é normal esse processo de oscilações porque ainda estamos recebendo o volume de água oriundo de precipitações da região de cabeceira, tanto do Solimões quanto do Negro. Itacoatiara também tem recebido do Rio Madeira”. 

Jussara Cury, Pesquisadora em Geociência do SGB

Fim da Vazante 

Em Manaus, o Negro subiu uma média diária de 6 cm, apresentando estabilidade no processo de vazante, contudo, os níveis ainda são considerados muito baixos para o período. A especialista explica que ainda não é o fim da vazante e sim uma subida por conta das chuvas isoladas nas cabeceiras dos rios.  

“O que estamos recebendo aqui em Manaus, nesse momento, são as chuvas oriundas das Cabeceiras, quer dizer, o alto Solimões, o alto Rio Negro, chuvas concentradas ali. O retorno do período de chuvas ocorre em novembro na maioria dos casos. É quando a umidade do Atlântico Sul chega na região e forma o início do período chuvoso”. 

Segundo o Serviço Geológico, a escassez foi causada pelos fenômenos El Niño (aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico) e aquecimento das águas superficiais do Atlântico Tropical Norte que reduziu a formação de nuvens e por consequência redução dos volumes de chuvas.

Segundo a pesquisadora, a previsão de chuvas para a bacia do negro é chuvas de 45 milímetros e na bacia do Solimões de 56 mm. O que ainda é pouco para essa recuperação do nível de Rio. Mas para ele é um fato importante que significa um processo para acabar a vazante e iniciar as subidas em algumas áreas que são importantes aqui para a nossa região. 

Subida do Rio Negro

O rio Negro em Manaus apresenta um gráfico da subida estável. Em 76% dos anos, o registro da série histórica, a cota máxima ocorre no mês de junho e em 18% no mês julho. A partir daí, o rio Negro tende a iniciar seu processo de vazante até que atinja a cota mínima. O fim da vazante, por sua vez, não apresenta um período preferencial, podendo ocorrer entre outubro e janeiro do próximo ano.

O rio Negro apresentou descidas em São Gabriel da Cachoeira e Tapuruquara, mas continua subindo em Barcelos. Em Manaus, o Negro subiu uma média diária de 6 cm, apresentando estabilidade, mas um volume ainda muito baixo para o período.

Descida do Rio Solimões 

Diferente do Rio Negro, o Solimões teve uma queda no nível do rio. Em Tabatinga, voltou a descer nos últimos dias, uma recessão média diária de 6 cm. Em Coari, o Solimões manteve o processo de subida, mas apresentou certa estabilidade nos registros mais recentes. Em Manacapuru, o Solimões manteve o processo de recuperação, contudo os níveis continuam muito baixos para a época. 

“Como houve uma precipitação abaixo da média nas bacias que alimentam os Solimões, o nível voltou a descer, mas isso não quer dizer que a vazante lá vai voltar. É um processo normal dessa fase de estabilidade do nível do Rio. Essas oscilações devidas à questão de a precipitação ainda não ter é se consolidado ali na região”.  

A pesquisadora concluiu que os prognósticos climáticos dessa semana indicam chuvas concentradas na região dos Andes que vão favorecer a subida do nível do Rio do Solimões e que demoram cerca de duas semanas para chegarem à região da capital Manaus.  

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