O nível do rio Negro, em Manaus, registrou uma subida de sete centímetros nesta terça-feira (31) e alcançou a cota de 12m94cm, vinte e quatro centímetros acima da mínima recorde registrada no Porto de Manaus (12m70), nos dias 26 e 27 deste mês.
Especialistas não descartam novas descidas, em um eventual efeito repiquete, mas os dados hidrológicos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) apontam uma normalização das descidas dos principais rios da bacia amazônica.
Com isso, é possível ver que os processos de vazantes extremas e recordes têm apresentado intervalos menores entre si. A medição do nível do rio Negro no porto de Manaus começou a ser feita em 1902, quando a mínima daquele ano, 16m78, foi alcançada no dia 29 de novembro.
Ainda naquela década, no ano de 1906, foi registrado o recorde que iria perdurar por 57 anos: 14m20. Entre 1906 e 1963, quando um novo recorde foi estabelecido em 13m64, em apenas quatro oportunidades a vazante do rio Negro alcançou uma cota na faixa dos 14 metros:
- 1916 (14m42)
- 1926 (14m54)
- 1936 (14m97)
- 1958 (14m74)
Na grande seca de 1963, o nível mínimo do rio Negro (13m64) foi alcançado no dia 30 de outubro, uma marca recorde que só foi batida 47 anos depois, em 24 de outubro de 2010, quando a cota registrada foi de 13m63.
Entre uma vazante recorde e outra, em apenas duas oportunidades o rio Negro chegou minimamente perto dessa marca:
1997 (14m34)
2005 (14m75)
O mais preocupante, contudo, para os especialistas é que de 2010 para 2023, quando uma nova seca recorde foi registada no rio Negro em Manaus (13m70), passaram-se apenas 13 anos.
“Isso é claramente um efeito das mudanças climáticas, que tem apontado para a ocorrência de eventos extremos cada vez mais próximos um do outro”, diz o professor da Universidade Federal do Amazonas Marco Aurélio de Lima.
A série histórica registrada no Porto de Manaus sinaliza, contudo, comportamentos diferenciados para o pós-vazante recorde, que nem sempre é seguida por uma cheia anormalmente fraca ou extremamente severa, como muitos especulam.
Após a vazante recorde de 1906, as enchentes seguintes foram relativamente normais:
- 1907 (27m19)
- 1908 (28m92)
- 1909 (29m17)
- 1910 (27m81)
- 1911 (27m57)
O mesmo se aplica aos anos seguintes a seca recorde de 1963:
- 1964 (25m91)
- 1965 (26m58)
- 1966 (26m41)
- 1967 (27m91)
- 1968 (27m13)
Após a vazante recorde de 2010, o comportamento do rio Negro teve uma alteração e registrou algumas das maiores cheias de sua história, o que também pode sinalizar efeitos das mudanças climáticas:
- 2011 (28m62)
- 2012 (29m97)
- 2013 (29m33)
- 2014 (29m50)
- 2015 (29m66)