Pela primeira vez desde o início da vazante, em 17 de junho, o rio Negro em Manaus se manteve estável nesta sexta-feira (27), ou seja, sem registrar descida no nível das águas. Desde quarta-feira (25), o rio vinha apresentando desaceleração do ritmo de descida.
O rio bateu recorde histórico de seca no dia 16 deste mês, quando atingiu a marca de 13,59 metros, e vinha quebrando esse recorde diariamente até esta quinta-feira (26), quando atingiu 12,70 metros, a menor marca em 121 anos de medição no Porto de Manaus.
Apesar da estabilidade registrada hoje na capital e o início da subida dos níveis nas cabeças de calha, como as águas nesta região ainda estão em níveis baixíssimos, deve demorar para o rio chegar a uma cota dentro da normalidade. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (SGB, antigo CPRM) é que o processo de cheia se inicie em novembro.
“No Alto do Rio Negro tivemos chuvas isoladas ali na região na semana passada, que resultou em subidas, tanto em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro, em Barcelos, pequenas subidas, mas pelo menos não está mais descendo nesta semana”, informou a pesquisadora Jussara Cury, do SGB.
“Há uma tendência de que aqui na Região Metropolitana, Manaus, no Rio Negro, entrem numa fase de estabilidade desse processo de descida”, disse a especialista.
“Então, daqui para o final do mês de outubro, vamos ter descidas ainda menores, até estabilizar e voltar a subir em novembro. Os prognósticos climáticos indicam chuvas isoladas na região dos Andes essa semana e, no início de novembro, mais chuvas distribuídas ao longo da bacia”, acrescentou.
Águas estão sendo distribuídas ao longo da bacia
De acordo com Jussara Cury, em todo o Amazonas, grande parte das estações monitoradas ainda registram processos de descidas dos rios. No entanto, a bacia apresenta sinais de que vai estabilizar esse processo da vazante, pelo menos até o fim do mês.
Jussara disse que, analisando o que está acontecendo hoje nos rios que influenciam o nível das águas na região de Manaus, “já houve certa estabilidade desse processo de descida, como é o caso do Alto Solimões, que saiu de descidas diárias na hora de 10 cm, passou por uma fase de estabilidade e hoje apresenta elevações”. “O que acontece hoje no Alto Solimões é muito resultado das chuvas isoladas da região do Andes e dos rios que alimentam o Solimões”, observou.
“Nosso posto de monitoramento de Tabatinga apresentou subidas no início da semana e certa estabilidade no registro mais recente. Fonte Boa também apresenta subidas na ordem de 15 cm, e ali na região de Coari e Tefé, como é o caso que temos uma estação em Itapéua, também apresentou processo de subida nos registros mais recentes, subida de 7 cm”, disse.
Já Manacapuru, que apresentava descidas na ordem de 10 cm, passou para 7 cm de descida diária.
“Itacoatiara também apresentou descidas menores nos registros mais recentes, saindo ali da 6 centímetros diários para 7 cm, 6 cm diários, mas ainda é um posto de observação, que é influenciado também pelo Madeira, pelo rio Madeira, que na semana passada apresentou elevações de seu nível, mas que essa semana apresentou oscilações, subidas e descidas”, explicou.
“O rio Purus também apresenta esse processo de estabilidade, na estação de Beruri apresentou subidas também”, completou.
De acordo com Jussara, o cenário mostra essas águas já estão sendo distribuídas ao longo da bacia e diminuindo o processo de descida em algumas regiões, como no caso da Região Metropolitana de Manaus.