A entrevista coletiva concedida na noite desta quarta-feira (23) pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo, Onyx Lorenzoni, na qual anunciou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) determinou à Polícia Federal a abertura de um processo por denúncia caluniosa contra o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) e o irmão dele Luís Ricardo Fernandes Miranda, chefe da Divisão de Importação do Ministério da Saúde, foi o principal tema debatido, na manhã desta quinta-feira (24), pelos senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, que deverão convocar o ministro para depor na próxima semana.
Onyx foi encarregado pelo governo de responder as denúncias feitas pelos irmãos Miranda sobre as supostas irregularidades na compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, com intermediação feita pela empresa Precisa Medicamentos.
De acordo com o deputado federal, no dia 20 de março, quase um mês após a contratação da compra pelo Ministério da Saúde, o próprio Bolsonaro foi avisado por ele sobre as suspeitas. No encontro, ocorrido no Palácio do Planalto, Luís Miranda disse que o presidente se comprometeu a colocar a Polícia Federal para investigar, o que até agora a direção da corporação não confirma se aconteceu.
Convocação à CPI
O senador Humberto Costa (PT-PE) foi o primeiro que repercutiu o caso e anunciou que apresentou um requerimento solicitando a convocação de Onyx Lorenzoni, justificando que a abertura do processo contra o deputado Luís Miranda e Luís Ricardo Fernandes Miranda se configura como crime de “ameaça à testemunhas”.
O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), lembrou que os irmãos vão depor na CPI nesta sexta-feira (25) e que, por isso, estavam requerendo que o Senado garanta-lhes segurança máxima antes, durante e depois do depoimento, pois “eles ousaram enfrentar pessoas que atuam como se fossem uma milícia”.
O requerimento de Humberto Costa foi repudiado pelo grupo de senadores governistas que tentavam apagar o fogo iniciado por Onyx Lorenzoni. Líder do governo no Senado, o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), solicitou que, em respeito ao ministro, a CPI possa fazer um convite a Onyx para comparecer e não aprovar uma convocação.
Na regra estabelecida pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD), todo requerimento precisa ser colocado em pauta de votação com 48 horas de antecedência, o que fará o requerimento de Humberto Costa entrar para votação na sessão da próxima quarta-feira (30).
Neste momento, prestam depoimento na CPI o professor da Universidade Federal de Pelotas (RS), Pedro Halal, e a representante da Anistia Internacional, Jurema Werneck.
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