O Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado nesta sexta-feira (10), chamou atenção para a prevenção e o tratamento de doenças que afetam a visão. No Brasil, quase 8 milhões de pessoas declararam ter cegueira total ou severa dificuldade de enxergar, segundo dados do último Censo Demográfico do IBGE citados pela Agência Brasil.
A deficiência visual é apontada como a limitação funcional mais prevalente no país. Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 80% dos casos poderiam ser evitados ou tratados adequadamente se diagnosticados em estágios iniciais. O dado reforça a importância de consultas oftalmológicas regulares, especialmente para pessoas com fatores de risco.
Entre as principais causas de perda de visão estão catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada à idade. Embora algumas condições estejam associadas ao envelhecimento, alterações visuais podem surgir em qualquer faixa etária, inclusive na infância.
O alerta é relevante porque muitas doenças oculares evoluem de forma silenciosa. Diabetes, hipertensão arterial, predisposição genética e hábitos inadequados podem aumentar o risco de problemas visuais. Em muitos casos, quando o paciente percebe a perda da visão, a doença já está em estágio avançado.
Especialistas recomendam evitar automedicação, não usar colírios sem orientação médica, proteger os olhos contra radiação ultravioleta e fazer pausas durante o uso prolongado de telas. Esses cuidados simples não substituem exames de rotina, mas ajudam a reduzir riscos e desconfortos associados ao uso intenso de dispositivos eletrônicos.
A pauta também expõe desigualdades no acesso à saúde. Consultas oftalmológicas, exames e cirurgias ainda não chegam de forma regular a toda a população, especialmente em regiões com menor oferta de especialistas. Para famílias de baixa renda, a dificuldade de acesso pode transformar uma condição tratável em deficiência permanente.
A saúde ocular deve ser tratada como parte da atenção básica e da política de prevenção. Diagnóstico precoce custa menos, preserva autonomia e reduz impactos sociais, educacionais e econômicos da perda de visão.