O estudo da proxalutamida supervisionado pelo médico endocrinologista Flavio Cadegini e patrocinado pela Samel omitiu informações importantes do termo de consentimento para pacientes, segundo denúncia da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, do Conselho Nacional de Saúde) à PGR (Procuradoria Geral da República) e ao MPF-AM (Ministério Público Federal do Amazonas).
Foram retiradas referências sobre riscos, direitos e até de contatos para urgências relativas ao medicamento experimental.
O termo original apresentado no protocolo de pesquisa à Conep tem oito páginas, detalhando vários pontos do estudo e alertando sobre questões de riscos. O documento obtido pela comissão e assinado por pacientes do Hospital Samel, entretanto, tem apenas três páginas.
A comissão ainda não sabe se o mesmo formulário foi assinado por pacientes que participaram do estudo em outros hospitais (foram 12, no total).
No documento, uma das informações retiradas é considerada fundamental: a proibição da gravidez e o compromisso em fornecer métodos anticoncepcionais aos pacientes durante a pesquisa e por mais 90 dias após seu término.
Em entrevista ao portal Real Time 1, o virtual candidato ao governo do Amazonas, deputado estadual Ricardo Nicolau (PSD), disse que a Conep induziu a PGR ao erro. Segundo ele, já existem 25 pesquisas com a proxalutamida aprovadas pela Anvisa em que a droga se mostrou segura.
“Os resultados foram muito bons e fizeram que as taxas de mortalidade fossem uma das menores do mundo. A medicação não teve nenhum efeito adverso grave. Politizaram até porque o presidente da República ficou sabendo dos dados e passou a falar na sua live, passou a falar quando os pacientes tiveram alta. E a partir de então se buscou o lado da política e não da ciência”, respondeu Nicolau.
O estudo terminou com 200 mortos e denúncias de irregularidades apontadas pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
Jefferson Ramos, com informações do UOL
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