quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Proxalutamida rende indiciamento para médico que coordenou pesquisa

Flavio Cadegiani é acusado de crimes contra a humanidade por conduzir o estudo com proxalutamida no hospital Samel, em Manaus, e no Hospital da Brigada Militar do RS.
COMPARTILHE

O médico endocrinologista Flávio Adsuara Cadegiani, que coordenou em Manaus um estudo com o medicamento proxalutamida que é suspeito de ter causado a morte de mais de 200 pessoas em tratamento contra a Covid-19, teve o nome incluído no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado Federal acusado de crime contra a humanidade.

O estudo foi realizado em Manaus com pacientes do Hospital Samel, pertencente à família Nicolau, do deputado Ricardo (PSD)e do ex-vereador em Manaus, Hiran. Os resultados preliminares foram divulgados em nível nacional pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Além de ter sido executada em Manaus, a mesma pesquisa foi feita no Hospital da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.

A acusação de crime contra a humanidade feita pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB/AL), leva em conta que a pesquisa foi realizada sem autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e ter sido responsabilizado pela Unesco e o Conselho Nacional de Saúde (CNS) pelas 200 mortes.

Conforme laudo do Conselho Nacional de Saúde, o laboratório responsável pela pesquisa e Flávio Cadegiani, violou a ética ao não adotar medidas para conter o número elevado de mortes no chamado grupo placebo, formado por pacientes que não receberam a proxalutamida, mas sim uma pílula de farinha sem efeito medicamentoso.

Para o CNS, ao detectar o excesso de mortes em um dos grupos era imperativo que Cadegiani suspendesse o experimento.

“Ao se verificar o excesso de mortes em um dos grupos, era mandatório interromper o cegamento do ensaio clínico para verificar se os óbitos estariam associados à toxicidade do medicamento ou se o grupo controle estaria em desvantagem por suposta eficácia da proxalutamida”, afirma o CNS.

Cadegiani, em nota da assessoria divulgada no último dia 18, nega as irregularidades e considera que declarações do Conep e do CNS foram “inverídicas, distorcidas e com caráter claramente difamatório”.

Segundo a assessoria do médico, “nenhum óbito foi decorrente do uso de proxalutamida, nem tampouco era suspeito de ter sido causado pelo tratamento, mas sim ocorreram em decorrência da Covid-19”.

Em Manaus, o grupo Samel não se pronuncia sobre o caso, atribuindo a responsabilidade pela pesquisa a Cadegiani.

Texto: Gerson Severo Dantas

Leia Mais:

COMPARTILHE