O primeiro grande retrato da implementação do Acordo de Paris mostra que os países ainda estão longe de cumprir suas promessas de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
O balanço, divulgado pela Convenção do Clima da ONU (UNFCCC), analisou 105 Relatórios Bienais de Transparência (BTRs) — documentos que cada país deve apresentar a cada dois anos — e revelou que a maioria das nações precisará acelerar suas ações climáticas para atingir as metas estabelecidas para 2025 e 2030.
O relatório indica que apenas metade das Partes, responsáveis por 58,6% das emissões globais, reportaram avanços reais.
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O foco das políticas climáticas ainda se concentra no setor de energia, especialmente na eletrificação do transporte e no aumento da geração renovável.
Em contrapartida, os esforços para eliminar o uso de combustíveis fósseis continuam limitados. Entre 2020 e 2021, as emissões aumentaram 4%, reflexo da retomada econômica após a pandemia de Covid-19.
O Brasil apresentou seu primeiro BTR em dezembro de 2024, reconhecendo dificuldades em projetar o cumprimento de suas metas.

Adaptação ganha força, mas falta dinheiro
Embora as metas de mitigação sigam distantes, o tema adaptação às mudanças climáticas ganhou destaque: 90% dos países incluíram estratégias de adaptação em seus relatórios, mesmo sem obrigação formal.
Essas ações buscam reduzir riscos e vulnerabilidades em setores sensíveis como segurança alimentar, saúde, recursos hídricos e cidades.
O relatório também expõe um desequilíbrio no financiamento climático. Países em desenvolvimento relataram necessidade de US$ 3,4 trilhões até 2030, mas receberam pouco mais de US$ 61 bilhões até agora — uma lacuna que, segundo a UNFCCC, ameaça o avanço global.
Além disso, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) alertou em seu Adaptation Gap Report que o mundo está reduzindo os investimentos justamente quando os impactos climáticos mais exigem resposta.
O documento defende que o “Roteiro de Baku a Belém” (B2B) — a ser apresentado nas próximas COPs — precisa marcar uma virada, com mais ambição, solidariedade e menos endividamento para as nações vulneráveis.
Confira o relatório na íntegra:
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