quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Ramos prevê 'maior quebradeira da história' após redução de imposto

Para Marcelo Ramos, a redução de alíquotas do Imposto de Importação, aliada ao custo Brasil, inviabiliza a produção industrial nacional e favorece a entrada de importados.
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O deputado federal Marcelo Ramos (PL) utilizou a tribuna da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (25) para alertar sobre as possíveis consequências da política econômica do ministro Paulo Guedes, que reduziu em 10% as alíquotas do Imposto de Importação de máquinas e equipamentos eletrônicos e de bens de informática.

O vice-presidente da Casa apontou a incoerência do Ministério da Economia, o qual, ao mesmo tempo que estimula a importação reduzindo tributos, corta R$ 500 milhões do orçamento, que seriam destinados a programas de estímulo a exportações.

Segundo Marcelo Ramos, o Orçamento do país tem de refletir as demandas da sociedade e não se voltar contra ela. Para ele, a medida vai transformar o Brasil, que tem hoje 14 milhões de desempregados, em exportador de tributos e empregos.

“Incluímos no orçamento um mecanismo de desestímulo às exportações, ao mesmo tempo em que a Camex toma medidas de estímulo à importação. O caminho que o Ministério da Economia aponta é transformar o Brasil em um grande exportador. Exportador de tributos, que incidem sobre as nossas importações, e exportador de empregos, transferindo empregos da indústria de máquinas e equipamentos eletrônicos do Brasil para a China, para a Malásia ou para o Vietnã”, lamentou.

‘Maior desmonte da história’

Ainda na opinião do parlamentar, caso não haja mudança de postura por parte do Ministério da Economia, a indústria brasileira, incluindo o Polo Industrial de Manaus, estará com os dias contados.

“Nós aumentamos o custo da produção nacional e reduzimos o custo da importação. Nós vamos causar a maior quebradeira e o maior desmonte do parque industrial nacional da história desse país se não mudarmos radicalmente a postura do Ministério da Economia de ataque frontal à indústria nacional”.

Custo Brasil x facilitação de importação

O amazonense finalizou seu discurso criticando o ministro Paulo Guedes, que, segundo ele, não cumpriu a promessa de reduzir o custo Brasil, que diminui a competitividade da indústria nacional, mas vem cumprindo a promessa de reduzir os custos de importação, que beneficia as indústrias fora do país.

“Se pegarmos os índices de produtividade do Brasil e excluirmos o custo Brasil, o custo tributário, o custo ambiental e o custo da burocracia, nós competimos com a indústria de qualquer lugar do mundo. Portanto, qualquer política de redução de imposto de importação tem que estar acompanhada de mecanismos de estímulos de exportação e mecanismos de redução do custo Brasil”, disse Marcelo Ramos.

Reportagem: Lucas Raposo

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