A produção industrial nacional cresceu 2,9% na passagem de novembro para dezembro. No mês anterior, a indústria havia registrado variação nula (0,0%), o que interrompeu cinco meses consecutivos de queda. No ano, houve ganho acumulado de 3,9%. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quarta-feira (2) pelo IBGE.
O gerente da pesquisa, André Macedo, destaca que o resultado do fechamento do ano reflete a perda de ritmo da indústria no decorrer de 2021. “É o primeiro resultado positivo depois de dois anos. Em 2019, o acumulado do ano foi de -1,1% e em 2020, de -4,5%. Em 2021, houve uma característica decrescente ao longo do ano, uma vez que houve ganho acumulado de 13,0% no primeiro semestre e, posteriormente, o setor industrial mostrou redução de fôlego. Os resultados positivos dos primeiros meses do ano tinham relação com uma base de comparação muito depreciada, já que em 2020 houve perdas bastante intensas para a indústria”, explica.
No acumulado do ano, a indústria teve resultados positivos em três das quatro grandes categorias econômicas e em 18 das 26 atividades investigadas pela pesquisa, com destaque para veículos automotores, reboques e carrocerias (20,3%), máquinas e equipamentos (24,1%) e metalurgia (15,4%).
Na comparação com novembro, com a expansão de 2,9% da indústria geral, a maior parte das atividades investigadas pela pesquisa também teve crescimento. A maior influência veio de veículos automotores, reboques e carrocerias, segmento que teve alta de 12,2% em dezembro. É o quarto mês consecutivo de crescimento do setor, período em que acumulou ganho de 17,4%.
Os produtos alimentícios também tiveram forte influência sobre o resultado da indústria. Mesmo com alta de 2,9% em dezembro, o setor teve menor crescimento do que o apresentado no mês anterior (7,1%). “É o segundo mês de crescimento dessa atividade e esse ganho se deve, principalmente, à produção do açúcar e à volta da exportação da carne bovina para a China”, explica. Apesar do resultado positivo, o setor ainda se encontra 4,1% abaixo do patamar pré-pandemia.
Outros resultados positivos vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (12,0%), de metalurgia (3,8%), de indústrias extrativas (1,6%), de produtos de minerais não-metálicos (2,0%), de máquinas e equipamentos (1,3%), de celulose, papel e produtos de papel (1,7%) e de couro, artigos para viagem e calçados (4,5%). Houve queda em cinco atividades, com destaque para a de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-6,9%), que eliminou o ganho de 1,8% de novembro.
Indústria recua 5,0% frente a dezembro de 2020
Na comparação com dezembro do ano anterior, a produção industrial caiu 5,0%. Os resultados negativos atingiram três das quatro grandes categorias econômicas e 20 dos 26 ramos pesquisados. As principais influências negativas entre as atividades vieram metalurgia (-13,9%), produtos de borracha e de material plástico (-19,9%) e produtos de metal (-19,1%).
Já entre as seis atividades com alta, o destaque foi a de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,4%). Outros segmentos com resultados positivos foram indústrias extrativas (2,0%), produtos alimentícios (1,8%) e celulose, papel e produtos de papel (6,1%).
O setor de bens de consumo duráveis
(-16,8%) teve a queda mais acentuada entre as grandes categorias econômicas. Os setores de bens de consumo semi e não-duráveis (-7,4%) e de bens intermediários (-3,9%) também recuaram. A única alta entre as grandes categorias econômicas foi registrada pelos bens de capital (5,8%).
Fonte: IBGE
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