Com primeira viagem prevista para ocorrer no sábado (22), a fábrica flutuante abastecida por energia solar idealizada pelos grupos Transportes Bertolini e Valmont, navegará com destino ao município de Coari (distante 362,44 quilômetros). A viagem atenderá aos primeiros produtores de açaí, que terão a produção comercializada e beneficiada.
O projeto, segundo a empresa Bertolini, é inédito no mundo, e tem o intuito de beneficiar o produtor rural por meio da soma entre o desenvolvimento regional e a sustentabilidade.
O valor investido na fábrica flutuante foi da ordem de R$20 milhões. Anualmente, a empresa Bertolini afirma que deverá injetar R$5 milhões em investimentos às comunidades ribeirinhas, beneficiando cerca de 5 mil famílias, por ano.
A fábrica tem capacidade para processar 20 toneladas do fruto por dia, com produção de 12 toneladas de polpa de açaí, diariamente. A polpa produzida será armazenada em três câmaras frigoríficas que juntas têm capacidade de armazenagem de 300 toneladas.
De acordo com o assistente da presidência da empresa Transportes Bertolini, Fabio Gobeth, a empresa ao desenvolver o projeto pensou em ações que pudessem retribuir a receptividade recebida pelo Amazonas desde a instalação da empresa de transportes no estado.
“É um projeto que busca retribuir ao Amazonas o apoio que recebemos desde que a empresa iniciou no estado. Queremos proporcionar desenvolvimento regional com sustentabilidade aos ribeirinhos. A fábrica é capaz de processar açaí sobre uma balsa para que assim possamos levar a indústria até o ribeirinho”, disse.
“Coletaremos o açaí desses produtores extrativistas, açaí este que vem da floresta e compõe a renda dessas pessoas. A estrutura vai receber o fruto, processar e congelar o produto final instantaneamente para garantir o produto mais fresco possível”, completou.
A fábrica também tem capacidade para processar outras frutas como óleos e castanhas. Posteriormente, a embarcação navegará pelas calhas dos rios Solimões, Japurá, Juruá, Purus e Madeira.
Abastecimento por energia solar
A estrutura é equipada com 685 placas solares divididas entre: laterais, frente e parte superior. As placas coletam a energia do sol e a distribuem em um sistema de baterias B-BOX off grid com 64 baterias disponíveis para armazenagem.
“Nosso projeto de baterias B-BOX off grid é o maior do mundo, projeto desenvolvido em conjunto junto com as empresas Valmont, BYD e SMA”, disse Bertolini.
Geração de mão-de-obra
A fábrica flutuante conta com cerca de 20 colaboradores empregados diretamente e a cada viagem serão gerados mais 50 empregos para atuação em alguns serviços na balsa. Os ribeirinhos serão contratados para esses serviços.
Texto: Priscila Caldas
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