Todo mês, o IBGE divulga a inflação oficial medida pelo IPCA. O índice é usado para reajustar salários, contratos e orientar a política econômica. Mas, para muitos brasileiros, os percentuais divulgados parecem não refletir o que pesa no bolso.
O IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, acompanha a variação de preços de mais de 400 itens, entre alimentos, transporte, habitação, saúde, educação e lazer. Cada produto ou serviço tem um peso definido conforme os hábitos médios de consumo das famílias urbanas.
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Na prática, essa média não corresponde à realidade de todos. Famílias que gastam mais com comida e transporte sentem muito mais os aumentos do que indica o índice.
Além disso, variações em produtos comprados com frequência, como arroz, feijão e gasolina, são percebidas de imediato, enquanto quedas em eletrônicos ou eletrodomésticos passam quase despercebidas.
Outro ponto é que o cálculo considera 16 regiões metropolitanas.
No interior e em áreas mais distantes, os preços podem variar de forma diferente. E há ainda a questão da comunicação: o índice aparece em percentuais, mas o consumidor sente o impacto em valores absolutos.
Um aumento de R$ 50 no supermercado pesa muito mais do que “0,3% de inflação”.
O IPCA não está errado. Ele é um indicador técnico fundamental para medir a economia. Mas, por ser uma média, não traduz a experiência de cada família.
A diferença entre a inflação oficial e a “inflação do carrinho de compras” nasce justamente desse desencontro entre a estatística e o cotidiano.