O Polo Industrial de Manaus (PIM) chegou à metade de 2025 reafirmando sua importância para a economia do Amazonas e do Brasil.
Os números divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e órgãos do Governo do Estado confirmam que 2024 foi o ano de maior faturamento da história do polo, com R$ 204,39 bilhões, e que os primeiros meses deste ano mantêm a curva de crescimento.
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Ao mesmo tempo, permanecem antigos desafios que podem comprometer a sustentabilidade do modelo no longo prazo: infraestrutura insuficiente, alto custo logístico e dependência das regras tributárias da Zona Franca.
Recorde histórico em 2024
O PIM fechou o ano de 2024 com R$ 204,39 bilhões de faturamento, crescimento de 16,24% em relação a 2023, quando havia atingido R$ 175,83 bilhões. Foi a primeira vez que o polo superou a marca dos R$ 200 bilhões em um único ano.
No campo do emprego, os resultados também foram expressivos. Ao final de dezembro, havia 127.798 trabalhadores diretos (efetivos, temporários e terceirizados).
A média mensal de empregos em 2024 ficou em 123.489, um crescimento de 8,87% sobre a média de 2023.
Com isso, o polo reafirmou sua função de maior empregador formal do estado, garantindo renda direta para mais de 120 mil famílias e impacto indireto para mais de meio milhão de pessoas.
Primeiros meses de 2025
Se 2024 foi recordista, 2025 promete manter o ritmo. No acumulado de janeiro a julho, o faturamento chegou a R$ 128,7 bilhões, um crescimento de 11,95% sobre o mesmo período do ano passado.
Apenas no primeiro semestre, foram R$ 110,8 bilhões, alta de 13,26% em relação ao mesmo intervalo de 2024.
O emprego também bateu novos patamares.
Em junho, o polo registrava 131.464 trabalhadores diretos, 6,82% a mais do que em junho de 2024. A média mensal de empregos no acumulado de janeiro a julho de 2025 foi de 131.592 postos de trabalho, crescimento de 9,28% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esses números confirmam que o PIM não só conseguiu superar a fase de retração vivida entre 2015 e 2016, como também atingiu patamares inéditos em sua história de mais de 55 anos.
Setores em destaque do PIM
A diversidade de segmentos segue como um dos pontos fortes do polo. Os setores que mais contribuíram para o faturamento em 2024 foram Bens de Informática, Eletroeletrônicos e Duas Rodas.
Bens de Informática responderam por aproximadamente 23% do faturamento total. Produtos como notebooks, tablets e celulares lideraram as vendas.
Eletroeletrônicos responderam por cerca de 18%, com destaque para televisores LCD e OLED.
Duas Rodas ficaram com quase 18% da receita, liderados pela produção de motocicletas, motonetas e ciclomotores.
O setor químico e o de termoplásticos também tiveram participação relevante, demonstrando a pluralidade da base produtiva da Zona Franca.
Produção de bens de consumo
Alguns números de produção em 2024 e 2025 chamam atenção:
Televisores LCD e OLED: em 2024, foram 13,99 milhões de unidades, crescimento de 18,84% sobre 2023. No primeiro semestre de 2025, já eram mais de 7 milhões de unidades produzidas.
Motocicletas, motonetas e ciclomotores: a produção superou 1,83 milhão de unidades em 2024, alta de 12,91%. No primeiro semestre deste ano, foram 1,07 milhão de unidades, 18,31% acima do mesmo período do ano passado.
Condicionadores de ar split system: 5,77 milhões de unidades em 2024 (+55,49%) e 3,17 milhões só nos seis primeiros meses de 2025 (+20,77%).
Condicionadores de ar de janela: aumento de 82,29% em 2024, confirmando retomada de mercado.
Forno micro-ondas: crescimento de 51,78% em 2024, com mais de 5,4 milhões de unidades.
Celulares: produção de 13,7 milhões de unidades em 2024, consolidando-se como um dos pilares do polo.
Exportações e reconhecimento internacional
As exportações também cresceram: em 2024, o PIM vendeu ao exterior US$ 619,33 milhões, um aumento de 11,61% em relação a 2023.
Embora ainda representem fatia modesta do total faturado, esses números mostram que o polo pode ampliar presença em mercados externos.
Esse desempenho levou a Zona Franca de Manaus a receber o prêmio Global Free Zones of the Year Award, concedido pelo Financial Times.
O reconhecimento internacional reforça a importância do modelo como referência global de desenvolvimento regional combinado a preservação ambiental.
O impacto social e econômico da Zona Franca
Atualmente, a Zona Franca de Manaus reúne cerca de 600 empresas, que geram mais de meio milhão de empregos diretos e indiretos.
O impacto se estende para o comércio, o turismo, os serviços e até o setor tecnológico, mostrando que o modelo é mais do que um polo industrial: é um motor da economia criativa e de inovação na Amazônia.
Além disso, a ZFM é reconhecida por garantir recursos para políticas ambientais e sociais, já que parte da arrecadação é destinada a fundos de desenvolvimento e pesquisa. Isso reforça a função estratégica do modelo no equilíbrio entre crescimento econômico e preservação ambiental.
Desafios à frente
Apesar dos números positivos, o PIM enfrenta gargalos históricos.
A infraestrutura logística é um dos principais problemas: transporte caro, limitado e dependente de longas rotas fluviais e aéreas.
A energia elétrica, embora estável, ainda tem custo elevado em comparação a outros polos industriais.
A dependência das vantagens tributárias da Zona Franca é outro ponto sensível. Embora a Reforma Tributária aprovada em 2023 tenha garantido a manutenção dos benefícios até 2073, qualquer alteração política ou econômica pode gerar instabilidade.
Por fim, a volatilidade do cenário econômico global impacta diretamente a produção, já que muitos insumos vêm do exterior e estão sujeitos à variação cambial e ao preço internacional de componentes.
Perspectivas para 2026 e além
O grande desafio do PIM para os próximos anos será transformar os bons resultados recentes em sustentabilidade de longo prazo. Especialistas defendem investimentos em inovação tecnológica, maior diversificação de produtos e estímulo à indústria 4.0. Há também a necessidade de fortalecer as exportações, reduzindo a dependência do mercado interno.
O governo do Amazonas aposta em ampliar parcerias entre as empresas do polo e universidades, buscando estimular pesquisa e desenvolvimento na região. Outra frente é integrar o polo à chamada economia verde, atraindo investimentos que conciliem produção industrial e preservação ambiental.
O Polo Industrial de Manaus vive um de seus melhores momentos em faturamento e geração de empregos. Os números recordes de 2024 e o desempenho do primeiro semestre de 2025 mostram a força do modelo Zona Franca como indutor de desenvolvimento econômico e social na Amazônia.
Entretanto, os desafios são claros: logística deficiente, dependência fiscal e volatilidade externa. O futuro do polo dependerá de como governo, setor privado e sociedade vão enfrentar esses gargalos.
A Zona Franca de Manaus, mais uma vez, prova sua resiliência. Mas a história mostra que, para se manter competitiva por mais meio século, precisará se reinventar.