quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Wilson no UB joga Amazonino no colo de ex-adversários dele no Estado

Ingresso do governador no União Brasil deixa o ex-governador Amazonino Mendes com poucas opções de partido para disputar a eleição majoritária de outubro.
COMPARTILHE

O ingresso do governador Wilson Lima no União Brasil vai deixar o ex-governador Amazonino Mendes numa sinuca de bico partidária tão complicada que, de acordo com especialistas na política amazonense, só restará a ele buscar uma aliança com ex-adversários na política estadual: o senador Eduardo Braga (MDB) e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto (PSDB).

“Na prática, Wilson asfixiou as opções partidárias de Amazonino”, disse um analista, lembrando que dos 20 partidos com representantes na Câmara Federal, portanto, com recursos dos fundos Partidário e Eleitoral e tempo na propaganda gratuita de rádio e televisão, somente o PTB e o Pros estariam livres para acomodar Amazonino, mas mesmo assim reduzindo a competitividade dele na eleição.

Destes 20 partidos, sete têm orientação de esquerda e dificilmente dariam legenda a Amazonino. São Eles: PT, PSB, PDT, PV, PSOL, PCdoB e Rede. Outros sete partidos de centro, com viés conservador, já estão “aliançados” com outros candidatos. São eles: PL, Republicanos, Cidadania, Solidariedade, Podemos, Patriotas e Avante.

O Partido Liberal, do ex-ministro Alfredo Nascimento, conversa seriamente com o governador Wilson Lima e conta com o apoio dele para a candidatura reeleitoral do presidente Jair Bolsonaro.

O Republicanos no Amazonas tende a apoiar a candidatura de Eduardo Braga, mas uma nova orientação do Diretório Nacional é para manter-se independente de candidaturas majoritárias e focar nas proporcionais. O Cidadania aprovou a formação de uma federação com o PSDB, portanto, ficará no arco de alianças de Arthur Neto, que já conversou com Amazonino.

Já o partido Solidariedade terá como candidato ao governo do Estado, o deputado estadual Ricardo Nicolau e sua principal aposta é eleger para a Assembleia Legislativa do Estado o deputado federal Bosco Saraiva. Não há, portanto, a possibilidade de filiação de Amazonino neste partido.

O Podemos é dirigido no Amazonas pelo deputado estadual Abdalla Fraxe e sinaliza que apoiará a candidatura reeleitoral de Wilson Lima, com a possibilidade inclusive de apontar um nome do partido para a vaga de vice na chapa dele. Por fim, o Avante, do prefeito David Almeida, está praticamente selado com Wilson Lima, o que fecha uma importante ponte de Amazonino na capital.

Com isso, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) surge como opção mais viável para Amazonino Mendes, porém vive uma guerra interna entre a presidente Graciela Nienov e o presidente de honra, Roberto Jefferson. O Patriotas fica ainda mais distante, pois indica que apoiará quem estiver ao lado de Bolsonaro..

O Pros, do ex-governador José Melo, também seria uma opção para Amazonino Mendes, mas nesta terça-feira uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal destituiu a direção nacional do partido, o que implicará em mudanças nos diretórios estaduais.

Com relevância na política do Amazonas restam ainda para Amazonino Mendes o PP e o PSD. O PP, dos irmãos Átila e Belarmino Lins e principal partido do Centrão na Câmara Federal, ainda não definiu um rumo no Estado, mas a orientação nacional é estar ao lado de quem apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro.

O PSD, por sua vez, tem como prioridade reeleger o senador Omar Aziz e seus dirigentes falam abertamente que não terão candidato oficial ao governo do Estado, embora Omar seja amigo de Amazonino.

“O partido terá candidato a presidente (o senador Rodrigo Pacheco – MG), candidato ao senado (Omar), então fica difícil indicar um candidato ao governo”, analisou o deputado federal Sidney Leite em entrevista a TV RealTime1.

Além das siglas com representação na Câmara, o Brasil tem outros 13 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas estes têm pouca relevância, não acessam recursos dos fundos Partidário e Eleitoral, mas principalmente não têm tempo na propaganda gratuita de rádio e televisão, o que inviabilizaria uma candidatura competitiva de Amazonino Mendes.

Velhos adversários juntos

É nesse cenário de asfixia partidária que surge no horizonte de Amazonino uma aliança com os partidos MDB e PSDB, de Braga e Arthur Neto respectivamente.

Braga foi um aliado de Amazonino em boa parte da carreira política dele, mas após se eleger governador em 2002 fez do ex-aliado um adversário figadal por quase duas décadas. Visando a eleição deste ano, em ao menos duas oportunidades, houve encontros entre eles em São Paulo. A principal especulação é de que ambos estabeleceram uma data para ver quem está melhor nas pesquisas de intenção de votos e firmar uma aliança.

Se Amazonino estiver melhor nos cenários eleitorais de primeiro e segundo turno caberia a Braga indicar o candidato a vice da chapa, que no caso seria a própria esposa, Sandra Braga. No cenário contrário, com Braga melhor posicionado para bater Wilson Lima, seria a vez de Amazonino indicar o candidato a vice, cujo nome preferido é o do próprio filho, Armando Mendes.

Nos últimos dias surgiu também a informação de que Amazonino se encontrou com Arthur Neto em São Paulo e que conversaram sobre uma aliança contra Wilson Lima. No cenário especulado, Amazonino entraria no partido dos tucanos e concorreria ao governo com Arthur Bisneto de vice.

Texto: Gerson Severo Dantas

Leia mais:

COMPARTILHE