A crise vivenciada no Amazonas, em janeiro deste ano é um dos pontos de partida para as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, no Senado, que pretende esclarecer pontos de conflito entre os discursos do governo do Estado e o do Ministério da Saúde.
O esgotamento dos estoques de oxigênio, no dia 14 daquele mês, foi o estopim de uma série de problemas que se acumularam no recrudescimento da doença. Documentos e depoimentos entregues a órgãos de controle e ao Judiciário indicam que o ministro, à época Eduardo Pazzuello, e sua equipe do MS sabiam do iminente colapso, mas teriam sido omissos.
Para tentar frear as infecções pela Covid-19, o governo do Estado tentou editar medidas restritivas no dia 23 de dezembro, mas revogou o decreto após protestos instigados por movimentos bolsonaristas e com apoio de comerciantes locais e até do ex-prefeito Arthur Neto (PSDB). O resultado veio duas semanas depois, com o aumento exponencial de internações de pacientes com a doença, e o aumento de 300% do consumo de oxigênio nos hospitais da capital amazonense.
A atenção federal veio apenas no dia 3 de janeiro, quando Pazzuello enviou para Manaus uma comitiva do MS. Ele veio pessoalmente apenas no dia 10 e ficou três dias. A principal fornecedora de oxigênio medicinal para o Estado, a empresa White Martins, afirmou que no dia 7 de janeiro requisitou à membros da comitiva apoio logístico para o transporte de oxigênio, e no dia 8 de janeiro um e-mail reforçou o pedido.
A versão foi confirmada pela Secretaria de Saúde do Amazonas (SES-AM) e deve ser reforçada pelo titular da pasta, Marcellus Campêlo, após convocação para depor na CPI.
Apesar da mensagem da White Martins conter informações das quantidades de oxigênio necessárias para o abastecimento, a quantidade enviada antes do colapso foi muito inferior. Ao invés disso, o Ministério distribuiu no Estado 120 mil comprimidos de hidroxicloroquina e 335 mil cápsulas de Tamiflu, medicamentos sem eficácia comprovada contra do vírus.
Mesmo defendendo o argumento de que tomou as providências necessárias de apoio ao Amazonas na crise, investigações na Procuradoria Geral da República (PGR), Supremo Tribunal Federal (STF) e MPF apontam documentos como relatórios das Forças Armadas e do MS, e-mails da White Martins e ligações, ao todo 11 indícios indicam que o ministro foi avisado sobre o problema.
Contudo, Pazuello fez correr a versão de que não foi informado sobre a iminente crise no abastecimento de oxigênio em Manaus e, consequentemente, nos municípios do interior.
Com informações da Folha de São Paulo
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