De forma serena e afirmando que não sabe ser irônica, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse que o asfaltamento da BR-319 no Amazonas é um projeto complexo e lembrou que, apesar de ser cobrada por isso há pelo menos uma década, ninguém liberou a obra. “Virou lenda”, disse.
A ministra do governo Lula foi a uma audiência na Comissão de Meio Ambiente do Senado onde foi confrontada sobre a liberação da perfuração de poços na Foz do Amazonas, entre outros temas motivo de discussões acirradas em torno do meio ambiente.
O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) perguntou a ministra sobre a liberação da obra que, na visão dele, ajudaria a diminuir a pobreza na região sul do Amazonas à medida em que permitiria o crescimento econômico com a exploração de novos negócios.
Marina rebateu. Disse que todas as vezes que vem ao Amazonas é questionada sobre o asfaltamento da estrada federal. Mas que se comprovada a viabilidade econômica, ambiental e cultural, a obra vai ser liberada.
Ela disse que o projeto é de altíssimo impacto ambiental por ser uma estrada no ‘coração da Amazônia’ e o asfaltamento deve aumentar os indicadores de desmatamento.
“No caso da BR 319 o trecho precisa de uma avaliação ambiental estratégica. Eu saí do governo em junho de 2008, todo mundo falava e decantava a estrada, virou uma lenda que a ministra Marina Silva que não deixava fazer a estrada. Eu saí em 2008, se esse empreendimento fosse um empreendimento fácil, se não tivesse altíssimo impacto ambiental, se fosse um processo fácil, é possível que já tivesse sido feito”, afirmou.
Disse que os técnicos do Ibama precisa ter suas decisões técnicas respeitadas, sem pressões. “Se fosse fácil, é possível que o projeto já tivesse sido feito.”
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