quarta-feira, 23 de setembro de 2026

'Partidos do AM têm baixa adesão à 'vaquinha'; cientista explica motivo

Até o momento, apenas a Bancada das Manas, do PCdoB, aderiu ao modelo de financiamento de campanha para as eleições que ocorrem em outubro deste ano.
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partidos políticos
Série do Politize! conta a história de cada legenda partidária (Foto: Reprodução)

Faltando 90 dias para que a Justiça Eleitoral permita o início da propaganda política, os pré-candidatos já podem começar a levantar recursos para os programas e campanha por meio da ‘vaquinha virtual’, permitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde o último domingo (15). No Amazonas, apenas um partido já está fazendo uso da modalidade de financiamento.

As Eleições Gerais deste ano marca a terceira vez em que a modalidade de financiamento de campanha por meio das ‘vaquinhas’ é usada em campanhas eleitorais.

A baixa adesão dos partidos e pré-candidatos no Amazonas à modalidade ainda é pouca e, segundo o cientista político Carlos Santiago, existem três fatores que estão dificultando o avanço da ‘vaquinha’ neste momento em que que se aproxima o período de campanha eleitoral.

“Existem inúmeros fatores que dificultam, nesse momento, a adesão a essa essa forma de financiamento de campanha política, uma delas está relacionado ao momento em que os partido políticos ainda estão na fase de estudo, na fase de definições dentro de seus quadros, ou as federações partidárias ainda estão definindo quem serão os candidatos para disputar as eleições de outubro”, disse Santiago.

Conforme o cientista político há ainda outras inúmeras indefinições. Muitos nomes estão se colocando como pré-candidatos, mesmo não tendo segurança se, de fato, irão participar do pleito.

“Isso dificulta a organização, a adesão, a contratação, a relação de uma empresa que está cadastrada junto ao TSE e até a articulação entre os possíveis doadores”, explicou.

Essas indefinições partidárias influenciam nessa movimentação dos possíveis candidatos. O outro fator, segundo Santiago é a burocracia.

“Você tem que ter todo uma condição para aderir a essa forma de financiamento, tem que contratar uma instituição que tenha cadastro junto à Justiça Eleitoral, e também fazer consulta aos amigos aos colaboradores para saber se têm, de fato, disposição para fazer esse tipo de doação partidária”, disse.

Outro fator citado pelo cientista político é a própria identificação cultural do eleitor com o candidato. Para Santiago, os partido políticos e os militantes no Brasil têm uma baixa adesão ideológica.

“Como não há uma clareza ideológica, poucas pessoas se identificam com um ideologia partidária a ponto de arrecadar recursos. Porque quando você adere uma campanha, um financiamento nesse modelo, está ligado a proposta que você defende, quem você representa. E no Brasil isso é muito vago”, disse.

‘Vaquinha’ no Amazonas

Até o momento, as únicas pré-candidatas que aderiram à vaquinha são as cinco amazonenses que integram a ‘Bancada das Manas‘ pelo PCdoB, que apostam na modalidade para impulsionar a campanha. A arrecadação será feita por uma empresa cadastrada na Justiça Eleitoral, conforme a regra, pelo link doa.la/bancada-das-manas-p-cdo-b.

Alguns partidos procurados pelo RealTime1 informaram o motivo de ainda não aderirem a este tipo de financiamento neste ano.

O PSC alegou que a modalidade é uma escolha pessoal de cada candidato, e que o partido deve avaliar a melhor forma, já que não possui fundo eleitoral grande.

O MDB informou que, até agora, nenhum pré-candidato sinalizou essa intenção porque a prestação de contas é complexa e o acesso ao recurso só irá ocorrer em agosto, após o registro de candidatura. O partido informou, ainda, que a escolha dos candidatos só ocorre após 20 de julho até 2 de agosto período das convenções de escolha oficial de candidatos.

O Cidadania também afirmou que cada candidato será livre para decidir se vai ou não realizar a prática. Já o Psol disse que considera a modalidade importante e que os pré-candidatos devem aderir para alavancar suas campanhas eleitorais, mas que ainda haverá uma reunião para definir o planejamento da campanha.

O PSTU segue determinação parecida do Psol e diz que haverá uma reunião no final de maio para definir se usará ou não o modelo de arrecadação.

O PTB informou que o partido não aderiu devido à burocracia para pré-candidatos e possíveis financiadores.

O PSB informou que não irá utilizar a vaquinha virtual, enquanto a assessoria do PT não soube confirmar se usarão o financiamento.

Texto: Aldizãngela Brito

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