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quinta, 26 de maio de 2022

Líder nas pesquisas, Amazonino encara ‘via crucis’ em busca de partido

O ex-governador Amazonino Mendes lidera as pesquisas de intenção de votos para o governo, no entanto tem dificuldades para entrar num partido que lhe garanta legenda.

16 de março de 2022

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Especialistas afirmam que liderança nas pesquisas de intenção de votos é mais um recall do que preferência real pela candidatura de Amazonino Mendes. (Foto: Reprodução)

O Brasil tem 32 partidos funcionando regularmente conforme as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Destes, 23 tem representação na Câmara Federal e, por isso, têm acesso a recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral e tempo na propaganda gratuita de rádio e televisão. Por tudo isso, causou surpresa nos últimos meses as dificuldades do ex-governador Amazonino Mendes (sem partido) para se filiar a uma sigla e disputar as eleições, mesmo sendo o líder consistente das pesquisas de intenção de votos desde o ano passado.

A via crucis de Amazonino em busca de um canto seguro começou ainda nas eleições de 2018, quando buscava a reeleição pelo PDT. Eleito para um mandato tampão, o quarto dele à frente do Estado, Amazonino entrou em rota de choque com o então presidente do Diretório Estadual, o ex-deputado federal Hissa Abrahão, que dificultou as articulações dele para atrair um número maior de partidos para a chapa oficial.

Amazonino conseguiu fechar com o PL, do ex-ministro Alfredo Nascimento, prometendo a este a vaga de candidato ao Senado. Em retaliação, Hissa desistiu de uma candidatura a reeleição à Câmara Federal e foi bater chapa contra Alfredo Nascimento pelo Senado. Resultado: ninguém conseguiu se eleger.

Filiação ao Podemos

Fora do PDT após essa confusão e com Hissa prestigiado pela Direção Nacional, Amazonino arquitetou a volta dele aos palcos principais da política filiando-se ao Podemos, pequeno partido que o teria por estrela na eleição municipal de 2020. Amazonino foi líder das pesquisas de intenção de voto por dois anos, entre 2019 e 2020, mas acabou superado pelo prefeito David Almeida (Avante), no segundo turno, quando perdeu a eleição por pequena margem de votos.

Sem mandato, Amazonino deixou o Podemos em meados do ano passado, mesmo tendo um aliado na presidência do Diretório Estadual, o deputado estadual Wilker Barreto. Sentindo cheiro de queimado, o ex-governador deixou o partido em julho e levou consigo todos os filiados do partido que tinham mandatos, como o próprio Wilker, o deputado estadual Dermilson Chagas, os vereadores Amon Mandel e Professora Jacqueline.

Todos, sob a batuta de Amazonino, tinham como destino o futuro União Brasil, partido que surgiria da fusão de DEM e PSL, acertada pelos dois partidos em outubro do ano passado e oficializada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 28 de fevereiro passado. Entre outubro e fevereiro, contudo, o União Brasil passou para a esfera de influência do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), via o secretário Municipal de Educação, Paudeney Avelino, que levou para o partido o governador Wilson Lima, filiado no último dia 15.

Wilson no UB

Como o RealTime1 mostrou, o ingresso de Wilson no UB reduziu as opções de filiação de Amazonino, que poderia acabar no colo de ex-adversários dele na política amazonense: o senador Eduardo Braga, do MDB, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Neto, do PSDB.

O ninho tucano virou nesta semana a principal opção para Amazonino, mas causou um distúrbio entre Arthur Neto e o senador Plínio Valério, que para impedir a entrada do ex-governador no partido conseguiu uma carta da bancada do PSDB no Senado apoiando a candidatura dele ao governo do Estado. Nesta quarta-feira, Arthur foi ao presidente nacional da sigla, Bruno Araújo, que lhe garantiu soberania para tocar o partido no Amazonas. Plínio diz que tem o mesmo aval de Araújo.

Teto Curto

Essa dificuldade para encontrar um partido e disputar a eleição está ligado, na avaliação de especialistas, ao fato de Amazonino ter um grande “recall” junto ao eleitorado amazonense, mas ter um teto de votos.

“Exceto quando disputou o governo tampão, nos últimos anos ele começa bem nas pesquisas, mas acaba perdendo na reta final”, analisou para o RealTime1 o cientista político Carlos Santiago. “Amazonino sempre partirá de um patamar alto porque em tantos anos de política, com tantos mandatos exercidos, por pior que seja o gestor ele sempre fez um favor, fez um bem para grande parte do eleitorado”, completa o cientista político Moacir Santos.

Os números apontam para esse fenômeno notado pelos especialistas. Em 2012, quando cumpria o último ano da terceira gestão dele a frente da Prefeitura de Manaus, Amazonino Mendes optou por não disputar a reeleição por ter índice de rejeição altíssimo, acima dos 60%. Dois anos depois, ele ainda liderava as pesquisas para o Governo do Estado, mas perdia para todos os candidatos no segundo turno e acabou desistindo de disputar a eleição de 2014, vencida pelo então governador José Melo.

Em 2017, Amazonino venceu a eleição para cumprir o restante do mandato conquistado por Melo, que havia sido cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por compra de votos. No cargo, em 2018 partiu na frente das pesquisas para renovar o mandato, com alguns institutos lhe garantindo eleição no primeiro turno e mais de 40% de intenção de votos. Abertas as urnas, ele foi ao segundo turno com 32,7% dos votos, atrás de Wilson Lima que conquistou 33,7% da preferência do eleitora amazonense. No segundo turno Wilson ganhou de lavada, obtendo 58,5% dos votos contra 41,5% dados ao então governador.

O tal “recall” de votos seguiu alto dois anos depois na eleição para prefeito de Manaus. Em todos os cenários Amazonino partia com mais de 30% das intenções de votos na capital. Fechadas as urnas, ele obteve 24,3% dos votos e foi ao segundo turno contra David Almeida, que teve 22,7%. Em um segundo turno, no qual não liderou nenhuma pesquisa, Amazonino foi batido por David Almeida, que teve 51,2% dos votos. O velho cacique amargou mais uma derrota, mas com expressivos 48.7% da preferência do eleitoral manauense.

“É esse desempenho em Manaus, com obras e o efeito da UEA (Universidade do Estado do Amazonas) no interior que colocam Amazonino novamente em primeiro lugar nas pesquisas. A questão é saber se esse índice de intenção de votos é ponto de partida ou teto operacional”, analisa Santos.

Texto: Gerson Severo Dantas

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