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quarta, 26 de janeiro de 2022

‘Igreja Católica precisa se voltar para as periferias’, afirma padre

Padre José Alcimar considera o Grito dos Excluídos e das Excluídas uma forma de resistência contra a teologia da prosperidade, que é uma teologia excludente, segundo ele.

6 de setembro de 2021

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Padre José Alcimar considera o Grito dos Excluídos e das Excluídas uma forma de resistência (Foto: Divulgação)

“A Igreja Católica tem que repensar bastante o seu modo de evangelizar”, afirmou o padre José Alcimar Araújo, nesta segunda-feira (6). O religioso, que é diretor da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, disse que a Igreja está voltando um pouco às bases e isso é muito importante para não acontecer como no Rio de Janeiro e São Paulo, que lá “a gente perdeu as periferias e é necessário voltar as periferias e estar junto desse povo”, afirmou.

Então o ‘Grito dos Excluídos e das Excluídas’, que é realizado em parceria com a Igreja Católica, é exatamente a resistência. São 27 anos de atos realizados em todos os governos passados, inclusive nos do PT, lembra o padre.

“A gente nunca deixou de ir para a rua porque é uma resistência constante, profética. Porque a gente sabe que há muita gente passando fome, e a pobreza é algo produzido, é um modo como a sociedade se organiza que mantem na verdade esse modo de exclusão, produz descartáveis, produz uma classe inútil, aquela que não vai ter emprego”, afirmou.

Segundo José Alcimar, o ato é um contraponto à teologia da prosperidade, que tem atraído mais pessoas. “Você encontra Deus, paga seu dízimo e você tem a recompensa de Deus. As igreja que cresceram são essas. Mesmo as evangélicas com perfil tradicional também diminuíram. O que tem avançado são aquelas que adotaram a teologia da prosperidade. Porque é uma recompensa de vida financeira aqui, e eles conseguem convencer”, disse.

Existe a prevalência de uma igreja mais carismática, que não olha para a realidade social, mas atrai para o templo, para as liturgias e até para o padre, com olhar muito condescendente com autoridades que pensam e falam como eles.

“É o que estamos vendo nesse momento, por isso, a gente tem uma grande parte de evangélicos apoiando o atual governo, como também grande parte de católicos tradicionalistas, que não têm esse olhar para a realidade, mas somente sacramental, litúrgico e da dimensão do pecado, também apoiam esse atual governo”, explica.

Segundo o religioso, de certa forma criou-se uma polaridade. “Aqueles que pensam diferente na Igreja, tem muita gente de modo parecido com a CNBB, mas não age, não são acostumados a irem para as ruas, é só a minoria que consegue”, disse.

Bíblia numa mão, jornal na outra

Algumas décadas atrás, a Igreja Católica vivia com muito mais força nas Comunidades Eclesiais de Base (Cebs), segundo José Alcimar, “com a preocupação do contato com a palavra de Deus, mas também olhando para a realidade, Bíblia na mão jornal no outro. Uma palavra que iluminava a realidade política e social pela quais as pessoas viviam e o contexto em que estavam inseridas”, avalia.

Com essa postura sempre a partir dos leigos e padres missionários e missionárias, a Igreja Católica desenvolveu alternativas de fazer com que as pessoas participassem mais das discussões políticas.

“Hoje, quem está desse modo, com clareza, se posicionando claramente é a hierarquia da Igreja Católica, coisa que no passado havia uma resistência a esse modelo de igreja. O modelo atual, exatamente na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), boa parte dos bispos têm a consciência de tudo que acontece, o próprio papa Francisco tem incentivado a participação política dos cristãos. porque entende a política como o lugar da construção do bem comum e não como politicagem”, disse.

Para José Alcimar, é necessário voltar a Jesus e ao seu evangelho, porque a igreja tradicional fala muito de doutrina, mas não de Jesus, não do seu evangelho. “Se você perguntar a um católico. Você já leu um evangelho inteiro, você vai se assustar com o número de pessoas que irão levantar a mão”.

Segundo o padre, Igreja Católica começou o movimento de voltar a Jesus de modo lento mas que, em se tratando de história, os resultados são a longo prazo.

“Jesus é libertado, ele é verdade, ele é a justiça porque ele fez a vontade de Deus. Se a gente perceber, os evangélicos trabalham demais o antigo testamento, falam de Jesus salvador, mas não usam o evangelho, praticamente. Se você acompanha as pregações, todas elas são baseadas sobretudo no antigo testamento. Tem uma mentalidade judaica e não cristã. Nós somos cristãos, temos refazer isso aí”, aconselha o padre.

Texto: Aldizangela Brito

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