quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Direita Amazonas descontextualiza notícia para minar vacinação infantil

O Movimento Direita Amazonas também compartilhou outras teorias da conspiração que colocam em xeque a vacina. O movimento bolsonarista tem mais 71 mil seguidores nas redes.
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O Movimento Direita Amazonas descontextualizou a notícia da morte de uma criança em Portugal para desencorajar a vacinação de crianças de 5 a 11 anos no Estado. A publicação nas redes sociais do movimento sugere que a criança portuguesa morreu por conta de uma suposta reação à vacina, o que ainda está sendo apurado.

Na publicação, o Direita Amazonas compartilhou trechos de uma matéria do portal Observador, mas um print divulgado dá forte ênfase ao fato de que a criança foi vacinada e que ela teve uma incomprovada reação adversa.

Autoridades portuguesas investigam o caso e ainda não relacionam a morte à reação à vacina da Pfizer.

A vacinação de criança de 5 a 11 anos foi boicotada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em aplicação da vacina da Pfizer em crianças. Desde então, o presidente vem levantando suspeitas sobre o imunizante.

Em outras publicações do movimento bolsonarista o tom de chacota contra doses de reforço da vacina contra a covid-19 é dominante. No dia 8 de janeiro, o movimento compartilhou uma mensagem de apoio ao tenista sérvio Novak Djokovic, que foi extraditado da Austrália neste fim de semana por ter se negado a comprovar que foi vacinado.

O Direita Amazonas é ligado ao deputado federal Alberto Neto (Republicanos) e ao pré-candidato ao Senado da República, ex-superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Coronel Menezes.

Menezes, inclusive, publicou um artigo num portal local contra o passaporte vacinal sugerindo com teorias da conspiração que o presidente da Pfizer e o presidente chinês não foram vacinados.

Em dezembro, o presidente do Direita Amazonas, Silvio Rodrigues, compartilhou a foto de uma múmia com a legenda “Ano 2029: 79ª dose”. No mesmo post ele ainda defendeu a não obrigatoriedade do passaporte de vacinação. “Vacina sim. Passaporte sanitário não”.

Logo depois que o Ministério Público do Amazonas (MPE-AM) e a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) recomendaram medidas para diminuir a circulação de não vacinados em shoppings, o Direita Amazonas iniciou uma campanha de desconstrução da sugestão nas redes sociais. Essa publicação foi, inclusive, curtida pelo deputado federal Capitão Alberto Neto.

Texto: Jefferson Ramos

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