Apesar de ser bolsonarista e evangélico, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante) não se rendeu à postura negacionista em relação à pandemia que marca o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesta terça-feira (18), David Almeida celebrou a redução das mortes e internações provocada pela Covid-19 e associou o fato ao avanço da vacinação.
O prefeito comparou o atual cenário de infecções em alta ocasionado pela variante Ômicron com janeiro de 2021, quando os sepultamentos em Manaus atingiram a marca de 213 por dia. Ainda nesta semana, David Almeida pediu para que as pessoas não deem ouvidos a líderes religiosos ou preferência política e afirmou que “em questão de saúde a ciência deve ser ouvida”.
“O motivo de não estarmos vivendo o mesmo momento adverso, tipo o holocausto do ano passado, é a vacina. Hoje Manaus tem uma das maiores taxas de vacinação do Brasil. Toda a nossa equipe tem trabalhado de forma incansável, para dar uma boa condição à população”, disse o prefeito durante uma transmissão ao vivo onde, ao lado da secretária de saúde, Shadia Fraxe, anunciava ações da prefeitura para minimizar os impactos ocasionados pela variante do coronavírus.
David e o bolsonarismo
Em agosto de 2020, ainda durante a campanha à prefeitura de Manaus, David Almeida compartilhou o vídeo de uma entrevista em que ele se autoafirmava como “conservador e defensor da Bíblia e da Pátria”, em uma tentativa de se comparar com Jair Bolsonaro.
Na ocasião, o então candidato a prefeito ainda citou que foi o único político a levar o bolsonarismo a sério no Estado, quando “ainda não era moda”.
“Em 2015, não vi as mesmas pessoas que defendem o Bolsonaro hoje, o defendendo lá atrás. Nós estávamos lá, defendendo ele dos ataques”, disse o prefeito à época.
No interior, bolsonarismo boicota vacinação
O desembarque do bolsonarismo não se restringe só à Manaus. Ontem, durante coletiva de imprensa do governador Wilson Lima (PSC) com 30 prefeitos do interior, o prefeito de Rio Preto da Eva, Anderson Souza (PP), reclamou que líderes religiosos têm desencorajado muitas pessoas a não se vacinarem no município.
O prefeito ainda citou o presidente Jair Bolsonaro (PL) como exemplo de autoridade política que boicota a vacinação, seja pelo comportamento negacionista ou pelas declarações que colocam à prova a eficiência dos imunizantes.
Texto: Jefferson Ramos
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