A presença de dois representantes do Amazonas, os senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, que vai investigar a atuação do governo federal, estados e municípios no combate à Covid-19 poderá ter fortes impactos na política estadual do estado, com reflexos diretos nas eleições de 2022.
A avaliação é do cientista político Breno Rodrigo Messias Leite. Apesar de considerar que CPIs são instrumentos políticos e jurídicos muito importantes e que podem, sim, levar punições a autoridades e ao poder executivo, Breno destaca o forte apelo midiático que tem este tipo de investigação. Instaladas às vésperas de um importante ano eleitoral, a CPI da Covid pode representar um holofote importante para qualquer político que tenha intenções eleitorais às vésperas de um pleito.
“Como sabemos, uma CPI é, antes de tudo, uma espécie de espetáculo, já que tem uma projeção midiática muito grande. Os senadores ganham uma visibilidade muito boa. E isso, para um agente político que pretende ainda ser governador do estado ou outras candidaturas, como os próprios [senadores] Omar [Aziz] e Eduardo [Braga], é muito importante”, explica.
Breno adianta que uma das possíveis estratégias que poderá ser adotada, tanto por Omar, que vai presidir a Comissão, e Braga, na CPI é a concentrar a ênfase das investigações nas ações do governo do Amazonas durante a pandemia, diante da impossibilidade de investigar os 26 estados, Distrito Federal e mais de 5 mil municípios.
“Vejo, principalmente, nesta postura que está sendo construída agora, uma ênfase muito forte no Amazonas. De onze membros da CPI, dois são aqui do estado. Então esses dois atores irão priorizar, como estratégia política, desgastar o governo estadual, mesmo porque esses dois nomes serão candidatos fortíssimos em 2022”, avalia Breno.
“O estado vai ser um espécie de ‘caso’ a ser analisado, já que é impossível abarcar todos os estados da Federação e todos os municípios. Então é possível que os membros da CPI enfatizem algumas localidades. E me parece que o Amazonas será um caso que será super explorado pela CPI, justamente pelo fato de termos dois senadores do estado lá”, completou.
No âmbito federal, CPI poderá trazer resultados
Ainda na avaliação do cientista político, ao contrário do que afirma o senso comum, a CPI da Covid poderá não acabar em pizza. Para Breno Rodrigo, a escolha do senador Omar Aziz para a presidência e Renan Calheiros (MDB-AL) para a relatoria, podem dar muita dor de cabeça ao governo federal.
“As CPIs têm a capacidade de levantar dados e quebrar sigilos, então as CPIs têm sim uma funcionalidade boa para investigação e pode ter desdobramentos políticos muito grandes, como foi o caso do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, que se deu depois de um processo de CPI. A escolha do Omar Aziz como presidente da CPI e, consequentemente, a escolha do Renan Calheiros como relator, certamente é uma decisão que pode prejudicar, e muito, o presidente Bolsonaro porque a Comissão vai ficar praticamente nas mãos da oposição”, finaliza.
Reportagem: Lucas Raposo
Leia mais: