Dois dos responsáveis pela renovação política que levou o jornalista Wilson Lima (PSC) ao Governo em 2018 vivem, neste fim de 2021, um dilema sobre a eleição de 2022, posto que estão fora do círculo do poder que ajudaram a construir.
O primeiro é o defensor público Carlos Alberto Almeida Filho, que foi um dos articuladores da chapa na qual entrou como candidato a vice de Wilson.
Carlos Almeida trouxe para a chapa sua popularidade angariada por trabalho em defesa de populações vulneráveis. No Governo, ele foi colocado na Secretaria de Estado da Saúde (Susam) e, posteriormente, na chefia da Casa Civil.
Mas um desentendimento com o governador, em meados de 2020, o fez pedir demissão da Casa Civil e afastar-se de Wilson Lima.
Desde então, Carlos Almeida mergulhou nos bastidores. Trocou o PRTB pelo PSDB, do ex-prefeito Arthur Neto, inimigo declarado de Wilson Lima, e em sua única chance de administrar o Estado inteirinamente, neste ano, demitiu o então secretário de Estado da Segurança Pública, Louismar Bonates. O ato foi desfeito logo que Wilson voltou de viagem, marcando o fim definitivo do relacionamento entre ambos.
No PSDB, Carlos Almeida passou a acompanhar Arthur Neto e hoje aparece como um dos candidatos do partido a uma vaga na Câmara Federal. Ele também é apontado como o articulador de uma possível ida da defensora pública Carol Braz para o ninho tucano, pois são amigos desde que trabalharam juntos na Defensoria Pública do Estado. Carol, contudo, não bateu o martelo porque tem um convite para ser candidato ao governo pelo PDT.
Luiz Castro
O segundo nome mais importante na eleição de 2018 e que está estudando o que fará em 2022 é o ex-deputado estadual Luiz Castro, atualmente filiado ao partido Rede Sustentabilidade.
Luiz Castro tem convite para ingressar no PDT e disputar uma vaga no Senado, perdida na eleição de 2018 aos 44 minutos do segundo tempo para o senador Eduardo Braga (MDB).
Desde a eleição de 2018, Luiz Castro mergulhou nos bastidores da política e não tratou de assuntos partidários ou eleitorais. Após a derrota para Braga, ele ganhou a pasta da Educação no Governo Wilson Lima, mas a entregou três meses depois.
Na eleição municipal do ano passado, Luiz Castro teve o nome cogitado para compor chapa com o prefeito David Almeida (Avante), mas descartou a possibilidade alegando motivos de doenças.
Ao ser convidado pelo presidente do PDT, Carlos Lupi, Luiz Castro disse ao RealTime1 que o convite era atraente, mas que está bem na Rede Sustentabilidade, onde tem grande aproximação com a ex-senadora Marina Silva.
“Seja qual rumo tomarem, os dois vão mexer no tabuleiro de xadrez da eleição do próximo ano. Carlos é ainda vice-governador, está num partido importante, com tempo de TV e recursos do fundo partidário. Luiz tem o enorme recall de quem só foi ultrapassado por Braga quando a apuração já se aproximava de 99% dos votos apurados”, analisa o cientista político Moacir Santos.
Para o analista, Carlos Almeida pode embalar a candidatura de Arthur Neto ao Senado e Luiz Castro colocar visibilidade na chapa do PDT.
“Ambos tem história e sabem manejar essa visibilidade conquistada ao longo dos anos”, completou Moacir.
Texto: Gerson Severo Dantas
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