Após o senador Otto Alencar (PSD-BA) desmentir os números indicados pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE) sobre o Brasil ser o quarto país que mais vacina no mundo, quando na realidade apenas 9,7% da população recebeu a segunda dose da vacina, os dois parlamentares protagonizaram um bate-boca na sessão de hoje (18), na CPI da Covid.
Otto lembrou ainda que 47% dos idosos ainda não tomaram a segunda dose.
Girão então rebateu as afirmações de Alencar, dizendo que os dados que apresentou diziam respeito a quantidade absoluta de doses aplicadas, entre primeira e segunda dose, totalizando mais de 15% da população. Ele ainda voltou a falar sobre a cloroquina, algo veementemente rechaçado por Otto, que também é médico, dizendo que o senador mente sobre as mortes pelo medicamento.
Pela acusação, Otto rebateu o deboche, dizendo que Girão teria se olhado “no espelho, sabe que é mentiroso e quer colocar isso em mim”. Ao que Girão respondeu, colocando o Consórcio do Nordeste para a compra de vacinas em jogo.
“O senhor está incomodado porque eu quero ver o consórcio do Nordeste. Está incomodado porque quero ver o que está acontecendo com o consórcio da Bahia”, falou, referindo-se à compra de vacinas Sputnik V.
“Vamos ver sim. Claro que vamos ver”, declarou Alencar em resposta a provocação do governista.
Intervenção de Omar
O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD), precisou intervir questionando os senadores se vai chegar um dia que a sessão não ocasionará desgastes por conta de bate-boca entre os parlamentares.
Os microfones dos dois senadores foram cortados, mas as provações continuaram.
Quando retornou a sonorização, Eduardo Girão questionou Alencar se o colega estava o ameaçando. Otto ainda devolvia as provocações do colega com o microfone desligado quando Omar disse que a discussão gerada era uma “estratégia para que a CPI não aconteça”.
A sessão foi suspensa por 10 minutos.
Sobrou pro Ernesto…
A discussão sobrou, inclusive, para o depoente do dia na CPI, o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que foi acusado mentir quando tratou sobre a falta de insumo para produção das vacinas no Butantan e na Fiocruz e sobre a presença nas reuniões da Covax Facilit.
Texto: Giovanna Marinho
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