No Amazonas, as religiões de matriz africana não têm uma bancada representativa na Assembleia Legislativa (Aleam) nem na Câmara Municipal de Manaus (CMM). O coordenador geral da Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matriz Africana (Aratrama), Alberto Jorge, questiona a ausência de representantes e afirma que a falta de uma “bancada da macumba” dificulta o acesso do segmento a políticas públicas.
Segundo Alberto Jorge, as religiões afro-brasileiras têm condições de eleger ao menos um deputado estadual ou dois vereadores, no Amazonas. Para o reviossonon – o mesmo que pai de santo -, a falta de representantes nos parlamentos locais é resultado de desinteresse dos próprios seguidores das religiões africanas.
“Há uma falta de consciência, de participação e até de pertencimento. Isso é muito ruim para nós, porque na realidade nós ficamos fora do parlamento. Seguramente, pelos estudos de pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o nosso segmento teria condições de ter pelo menos dois vereadores ou de eleger um deputado estadual”, pontuou.
O reviossonon destaca que a ausência de representatividade tem impacto nas políticas direcionadas às religiões. De acordo com Alberto Jorge, por conta da inexistência de uma bancada da ‘macumba’ no parlamento local, os terreiros de Manaus ficaram de fora da isenção do IPTU dada a templos religiosos.
Atualmente, a capital conta com 400 terreiros apenas nas Zonas Leste e Norte de Manaus. “Essa isenção foi montada para contemplar evangélicos. Não foi feita para contemplar terreiros. Essa lei está considerando a religião da maioria e cadê os nossos representantes? Cadê a bancada da macumba e do axé para se contrapor à bancada evangélica”, perguntou.
Tambor de Mina, Candomblé e Umbanda são as três religiões de origem africana mais praticadas no Amazonas. No entanto, o segmento não tem candidatura ou nome que se coloque como candidato a deputado federal ou estadual nestas eleições. O próprio Alberto Jorge, personalidade já conhecida entre os praticantes das religiões de matriz africana, disse que não vai ser candidato.
Texto: Jefferson Ramos
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