Segundo um pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em maio deste ano, existem 60 mil pessoas (2,3%) declaradas homossexuais ou bissexuais no Amazonas. No entanto, até hoje, o Estado nunca elegeu um candidato assumidamente LGBTQIA+ para cargos legislativos desde o processo em que se estabeleceu a Constituição Federal, em 1988.
Ainda segundo a pesquisa, 97 mil pessoas (3,7%) não souberam ou não quiseram responder sobre a orientação sexual.
Em 2020, o Psol chegou a lançar Paulo Trindade, ativista gay, como pré-candidato à Prefeitura de Manaus, mas o partido acabou recuando e oficializando o apoio à candidatura de José Ricardo (PT) e Marklize Siqueira (Psol).
Mas quem chegou mais próximo do parlamento foi Gabriel Mota (PCdoB), com 2.231 mil votos nas eleições de 2020, quando concorria à vaga na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Ele considera importante que haja representantes LGBTQUIA+ no parlamento porque as demandas da sociedade atingem a todos, mas é a classe quem lida com problemas de forma discriminatória.
“No final das contas, a falta de moradia, a falta de trabalho, exclusão da educação, negligência na saúde são pautas que nos atingem de maneira muito forte e fazem parte geral da população. Mas, por nós passarmos por tudo isso de uma maneira preconceituosa discriminatória, a gente tem muito mais sensibilidade para trabalhar pelo coletivo”, disse Gabriel.
Segundo o ativista, as pessoas que não são classificadas no grupo LGBTQIA+ têm dificuldade em entender as necessidades impostas pela comunidade, por isso ele considera “importante que seja [eleita] uma pessoa que use o gênero e a opção sexual de maneira pública, para que sirva de exemplo e mostre que há competência suficiente para ocupar os parlamentos espaços e legislar em prol de todos”.
Outros nomes, assumidamente da comunidade LGBTQIA+, já concorreram em algum pleito no Amazonas, como as ativistas Bruna La Close (PT) e Jaqueline Malldonnado, além do candidato a vereador, Rômulo Vlasak, do PT de Parintins.
Para o cientista político Carlos Santiago, a sociedade brasileira ainda não está representada de forma adequada nos parlamentos e nos governos.
“A democracia deve refletir a sociedade. Uma democracia representativa deve refletir a diversidade brasileira para que comunidades, tipo LGBTQIA+, possam eleger seus representantes para defesa de suas pautas, suas reivindicações, seus espaços”, disse Santiago.
Segundo o cientista, para consolidar a democracia representativa, “é mais que justo que movimentos de mulheres de indígenas, de negros e comunidades LGBTQIA+ possam indicar e eleger seus representantes para espelhar, de fato, a pluralidade social no Brasil”.
Texto: Aldizangela Brito
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