A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) criticou, em entrevista à TV RealTime1, nesta terça-feira (15), o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) por estar “passando a boiada” no desmonte das políticas ambientais e ameaçando a vida na Amazônia.
“Vivemos uma situação terrível. Há um completo desmonte das políticas socioambientais e a estratégia é passar a boiada sobre a legislação”, analisou Marina Silva. “Essa é um agenda que só aumenta as queimadas, agride os povos tradicionais e ameaça a vida dos brasileiros”, completou.
Na entrevista, Marina Silva advertiu para o “envenenamento” dos alimentos servidos aos brasileiros com a liberação de agrotóxicos que estão banidos da Europa, Estados Unidos e Japão. “O mundo não quer estes alimentos produzidos com agrotóxicos fora de padrão. Esse alimento vai para a mesa dos brasileiros”, afirmou Marina, lembrando que atualmente o brasileiro consome cinco litros per capita de agrotóxicos a cada ano, um número considerado bastante alto.
Não será candidata
A ex-ministra saudou a iniciativa do ex-prefeito de Manaus Arthur Neto de participar das prévias do PSDB para colocar a Amazônia no debate presidencial, mas afirmou que neste ano ela não será candidata. “Fui candidata três vezes em 2010, 2014 e 2018 e em 2022 vou continuar com este debate, mas não como os demais candidatos”, disse Marina Silva, revelando que tem conversas com o candidato Ciro Gomes, do PDT, e com partidos que poderão formar uma federação com a Rede.
Sobre a Rede no Amazonas, a ex-ministra Marina Silva revelou que já está definida a candidatura da professora indígena Vanda Witoto a deputada federal e lamentou a saída do ex-deputado Luiz Castro do partido. Conforme Marina, a Rede segue conversando para ter uma chapa forte no Amazonas.
Por fim, Marina Silva também criticou a posição do presidente da convenção nacional das Assembleias de Deus, pastor José Wellington que, na semana passada, condicionou a liberação de verbas do Governo Federal para prefeituras a uma conversa dos gestores municipais com os pastores da denominação.
“Sou evangélica da Assembleia de Deus, mas minha posição, minha postura é de não instrumentalizar a fé. O Estado é laico, uma grande contribuição dada pela reforma protestante, pois antes havia a integração Estado-Igreja Católica. Graças aos protestantes tivemos essa separação”, lembrou Marina, que é professora de História e começou a militância nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da igreja Católica. “A igreja não precisa do dinheiro do Estado, a igreja não precisa tutelar o Estado”, completou Marina Silva.
Confira a entrevista na íntegra:
Texto: Gerson Severo Dantas
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