Uma suposta pesquisa divulgada na manhã desta segunda-feira (1/09) pelo site Notícias do Poder, de Manaus, acendeu o alerta para um possível novo capítulo na guerra de desinformação eleitoral.
O levantamento afirma ter ouvido eleitores em 66 municípios fluminenses – ou seja, do Estado do Rio de Janeiro – e coloca Marcos Rotta, na liderança das intenções de voto para o Senado.
Como assim, fluminenses?
A inconsistência é evidente: por que um levantamento de opinião no Rio de Janeiro colocaria um político de Manaus à frente? A pergunta é inevitável — será que estamos diante de uma pesquisa falsa, adulterada ou simplesmente mal redigida?
E ainda que o erro fosse apenas a troca de “municípios amazonenses” por “municípios fluminenses”, o Amazonas tem apenas 62 municípios, tornando impossível, portanto, ter ouvido eleitores em 66 municípios
O print com a matéria do site foi encaminhada ao RealTime1 por um leitor. A informação é considerada, no mínimo, bizarra: o levantamento que teria entrevistado eleitores de 66 municípios fluminenses aponta Marcos Rotta, na liderança das intenções de voto para o senado.
Abaixo, print da matéria publicada encaminhada por um leitor do RealTime1:

RealTime1 checou a informação
Ao checar a veracidade do “levantamento”, a redação do RealTime1 acessou o site da Paraná Pesquisas e não encontrou nenhuma informação sobre pesquisa recente realizada em Manaus ou no Amazonas.
Em seguida, ao visitar o portal Notícias do Poder, constatou que a matéria havia sido editada — possivelmente após alerta de quem patrocinou o suposto levantamento, que agora soa ainda mais duvidoso.
Alerta para a opinião pública
Em ano pré-eleitoral, informações desse tipo circulam rapidamente nas redes sociais e podem influenciar eleitores de forma indevida.
Pesquisas são instrumentos importantes para medir cenários, mas, quando usadas de forma irresponsável, passam a ser ferramentas de manipulação.
Paraná pesquisas está ciente?
O nome de institutos sérios, como a Paraná Pesquisas, é frequentemente usado por sites e blogs para dar aparência de credibilidade a levantamentos que não existem ou que foram deturpados.
Vale perguntar: a Paraná Pesquisas tem conhecimento dessa publicação?
Quando a “fake poll” virou notícia
Falsificação ou distorção de pesquisa (as chamadas “fake poll”) não é novidade no Brasil, mas ganha contornos ainda mais perigosos quando envolve nomes de políticos em pré-campanha.
Casos assim precisam de investigação e de checagem junto aos institutos citados e às autoridades eleitorais.
Confira a pesquisa original do Instituto Paraná:
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