Pesquisa realizada pela empresa EAS Consultoria Estatística e contratada pela R2 Comunicação, divulgada nesta segunda-feira (20), está dando o que falar e tem causado estranheza não só pelo resultado apontado mas, principalmente, pelo universo e nomes utilizados para a realização das entrevistas, o que acaba apresentando um cenário considerado fictício para a sucessão eleitoral no Amazonas.
Ao contrário do que foi divulgado como sendo a opinião do “eleitorado amazonense”, o levantamento foi realizado somente na capital, desconsiderando totalmente os votos do interior do Estado e que representam no mínimo 40% do eleitores do Amazonas.
As eleições de 2022 vão definir, além de um presidente da República, governador, senador e deputados estaduais e federais. Logo, questiona-se o fato de a EAS ter ouvido apenas os eleitores de Manaus (foram 1.200 pessoas entrevistadas).
Interior faz a diferença
Desconsiderar o universo de eleitores do interior pode impactar – e muito – não só no resultado de uma pesquisa, mas até mesmo de uma eleição.
Especialistas apontam um viés que pode chegar a 15 pontos percentuais e induzir o eleitor quanto à realidade da intenção de votos, criando um “cenário fictício”
Caso fossem considerados os votos do interior, por exemplo, Omar Aziz (PSD), que têm apoio da maioria dos prefeitos, certamente apareceria entre os primeiros colocados.
E o coronel Menezes (Patriota), ao invés de estar na segunda colocação, certamente apareceria em uma posição mais atrás, pois é ainda é pouco conhecido no interior.
Rebecca e Luiz Castro
Outras observações que devem ser consideradas é o fato de a pesquisa dar ao eleitor opções de nomes que não devem concorrer aos cargos indicados, como para a vaga de senador pelo Amazonas, onde foram sugeridos os nomes dos ex-deputados Rebecca Garcia (PP) e Luiz Castro (Rede).
Rebecca, no entanto, já falou em várias ocasiões que, política, agora, “só de longe”.
Ao RealTime1, no início de setembro, por exemplo, ela comentou que está focada na direção dos negócios da família e em um projeto pessoal na área da bioeconomia.
Luiz Castro, deve concorrer a uma vaga como deputado estadual ou, no máximo, a deputado federal.
Poucos acertos
Nas últimas quatro eleições, a EAS figurou entre empresas cujas pesquisas realizadas no Amazonas apresentaram números distantes do resultado final das urnas.
Cientistas políticos vêm alertando que é necessário atenção com pesquisas realizadas em períodos pré-eleitorais, por exemplo, pois dependendo de quem paga pela sua realização, “podem estar impressas digitais de um ou outro candidato”.
Destaque ao amigo

Também não é novidade no mundo político a contratação de empresas para apresentar resultados que satisfaçam seus próprios interesses, numa tentativa de apresentar determinado cenário os eleitores.
Na primeira quinzena de setembro, incomodado com a posição de Menezes em uma pesquisa divulgada na cidade, o empresário Fred Melo, por exemplo, fez ataques à empresa, insinuando que os resultados ali mostrados seriam falsos.
Hoje (20), no entanto, Fred – que é bolsonarista de carteirinha, assim como Menezes – comemora os dados apresentados pela pesquisa da EAS dizendo “confiar e apostar” no resultado, mesmo com inúmeros detalhes a serem levados em consideração.
Sabe-se na cidade que, assim como Fred, parte da equipe de comunicação de Menezes trabalha no endereço onde funciona a R2 Comunicação, que entre os sócios está Gabriel Fraiji Melo, filho de Fred Melo, que passou a responder também pela empresa em setembro de 2017.
Da Redação
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